02 agosto, 2008

Cadê as campanhas de transplante e as medidas preventivas?

Faça seu comentário  |  Leia os comentários  |  Compartilhe  |  Imprimir  |  RSS  |  Celular

01/08/2008 - 21:41 - Atualizado em 01/08/2008 - 21:44

Cadê as campanhas de transplante e as medidas preventivas?

O Brasil poderia salvar mais vidas se mais pessoas decidissem doar órgãos e se os doentes conseguissem tratamento adequado antes de chegar aos estados crônicos e graves das doenças

Isabel Clemente

Mutirões costumam oferecer resultados de curto prazo para tudo. Na saúde não é diferente. Pacientes são os primeiros a reclamar da rara freqüência com que o tema transplantes é tratado em campanhas oficiais para estimular a doação de órgãos. Seria uma importante colaboração para disseminar a cultura da doação no país e ampliar o conhecimento sobre um tema tão delicado. A morte cerebral é um mistério para os leigos, acostumados a associar o prolongamento da vida ao batimento do coração, mesmo que sustentado por máquinas.

Se o número de doadores aumentar, de uma hora para outra, o país verá a piora de um outro problema: falta estrutura em muitos hospitais para manter essas pessoas, declaradas mortas, ligadas a aparelhos. Essa constatação faz parte de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), realizada em 2005. Analistas do Tribunal trabalham hoje justamente tentando verificar qual o grau de despreparo dos hospitais onde geralmente estão os doadores potenciais, jovens mortos de forma trágica, vítimas de acidentes de trânsito e da violência urbana. Esses cadáveres têm que ocupar uma vaga de UTI, espaço geralmente disputado por pacientes vivos.

Essa mesma auditoria do TCU constatou o que todos já desconfiavam: mais da metade dos transplantes são feitos na região Sudeste, um reflexo cruel da desigualdade brasileira. Ao comparar o Brasil consigo mesmo, um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicas (Ipea) chegou a uma estimativa estarrecedora sobre o que significa a ineficiência no transplante de órgãos no país. Entre 1995 e 2003, o Brasil deixou de realizar, na melhor das hipóteses, 872 transplantes de rim e fígado. Na pior das hipóteses, o número chega a 2.200. Os resultados indicam aquilo que poderia ter sido feito se, naqueles anos, o país tivesse apresentado o mesmo desempenho de 2003, o melhor do período estudado.

O quadro da fila de espera por transplantes no Brasil é tão delicado que um aumento de 10% na demanda por órgãos elevaria o tempo de espera por um doador ao infinito, de acordo com projeções de Alexandre Marinho, pesquisador do Ipea e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Essa constatação mostra o quanto é urgente estancar a elevação de pacientes terminais. Do rol de providências a serem tomadas para conter o problema, a mais à mão é prevenir que as pessoas cheguem ao estado grave. "Ações preventivas são essenciais. Diabetes e pressão alta não incapacitam os rins de uma hora para outra. São problemas controláveis. Se tem tanta gente fazendo diálise e precisando de um rim é porque tem muita gente passando a vida toda sem atenção básica de saúde", diz Marinho. O mesmo raciocínio vale para o fígado, órgão afetado gravemente pelo abuso de álcool e até de automedicação. Medidas preventivas não vão zerar a quantidade de pacientes renais crônicos no país, mas certamente ajudarão a prolongar a qualidade de vida de muitas pessoas.

A ONG Parceiros do Rim nasceu em 2000 pela iniciativa de pacientes renais crônicos de Curitiba. Sua missão é ajudar outros pacientes a superar as dificuldades que cercam o tratamento, do deslocamento até a clínica onde fazem hemodiálise ao acesso a medicamentos. Seu presidente, Nilton Luiz Carneiro de Mello, de 45 anos, é um dos que espera na fila por um doador. Há mais de nove anos. Portador de rins policísticos, um problema genético herdado do pai, submete-se à hemodiálise três vezes por semana. Sua história pessoal é um exemplo de luta e evidencia os obstáculos que ainda precisam ser superados no controle das doenças que podem levar as pessoas à necessidade de um transplante. Dos seis irmãos de Nilton, incluindo um gêmeo com alta probabilidade de ter a mesma doença, apenas uma fez exame para saber se herdou rins policísticos. "Ela faz um tratamento conservador. É a única", diz Nilton, casado, pai de dois filhos. A prevenção, nesse caso, é uma dieta rigorosa, pobre em sal e em proteína, para poupar o rim. Uma estatística triste cerca a Parceiros do Rim. Dos sete voluntários que fundaram a organização, dois morreram sem receber um órgão, um deles há apenas um mês.

A notícia sobre o esquema que vendia fígados no Rio de Janeiro foi recebida por Mello com desânimo. "É um desserviço, porque as pessoas ficarão ainda mais reticentes em autorizar a doação de órgãos, imaginando que alguém pode se aproveitar daquilo", diz Nilton que, até descobrir o problema renal, era dono de um restaurante popular em sociedade com o pai, já morto. Quando questionado sobre seu maior sonho, responde que é ampliar o trabalho da ONG para ajudar outros pacientes. E quanto ao rim, tão necessário? "Ah, sim, será maravilhoso", diz Nilton, feliz por estar livre de problemas colaterais típicos de doentes renais, mas ciente de que essa espera não tem data para acabar.

REDE: ONG Parceiros do Rim ajuda pacientes crônicos a viver melhor.
www.parceirosdorim.com

DIVULGAÇÃO: ONG faz campanhas para estimular a doação de órgãos.
http://www.adote.org.br  

SAIBA MAIS: Sistema Nacional de Transplantes, site oficial do Ministério da Saúde
http://dtr2001.saude.gov.br/transplantes/

 

 

§  Leia as últimas notícias

§  Leia outras reportagens desta edição

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI9542-15254,00-TRES+REALIDADES+DOS+TRANSPLANTES+NO+BRASIL.html

 

Três realidades dos transplantes no Brasil: Revista Época

01/08/2008 - 21:52 - Atualizado em 02/08/2008 - 02:29

Três realidades dos transplantes no Brasil

Uma senhora que aguardou quatro anos para ganhar um novo fígado, o casal que predeu o filho recém-nascido pela burocracia e a jovem que espera conseguir um rim de um parente. Eles contam suas versões sobre um mesmo problema: a angústia de depender de uma doação para seguir vivendo

"Renasci com o novo fígado"
Maria de Lourdes Ferreira dos Santos, 57 anos. Ficou quatro anos e meio na fila. Recebeu um fígado em abril de 2005

André Valentim

COM UM FÍGADO NOVO

Depois de uma semana internada no hospital para cuidar de uma hemorragia digestiva, a dona de casa Maria de Lourdes Ferreira dos Santos recebeu diagnóstico de hepatite tipo C. O sorriso que ela exibe hoje é o de quem renasceu depois de esperar quatro anos e meio por um fígado novo. No final do ano 2000, ela entrou na lista de pessoas que precisam de transplante. Moradora de um conjunto habitacional na Vila Joaniza, zona sul de São Paulo, dona Lourdes recebeu o fígado novo no Hospital São Paulo, administrado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, no dia 29 de abril de 2005. "É uma data que nunca vou esquecer, meu segundo aniversário”, diz. Apesar do sucesso do transplante e da recuperação, ela ainda não está livre da hepatite. "Só passo mal por causa dos medicamentos para controlar o vírus. Com o transplante vai tudo bem”, afirma.

Uma das rotinas impostas a qualquer transplantado é a obrigação de tomar remédios pelo resto da vida. Dona Lourdes toma dois medicamentos todos os dias: o micofenolato de sódio e o tacrolimo, ambos para evitar a rejeição do órgão. Ela diz que está com uma anemia leve por causa dos remédios contra a hepatite, aos quais só tem acesso devido a uma decisão judicial que obrigou o Estado a fornecê-los. “Sempre recebi os remédios do transplante de graça. Os da hepatite tive que entrar com uma ação porque são muito caros”, diz.

É comum que o transplantado tem curiosidade sobre o doador. Quem era? Quantos anos tinha? Como está a família? Com dona Lourdes não é diferente. “Ainda tento saber quem doou. Os médicos não me dizem, mas nunca vou deixar de perguntar. Sei que ele era maior que eu porque o órgão é um pouquinho maior do que o meu antigo”, diz sorrindo. Outro comportamento comum entre transplantados é a aproximação com a equipe médica que fez o procedimento. Se depender de dona Lourdes, o médico que deu uma segunda vida para ela acabou ganhando uma segunda mãe. “Tenho ele como um filho”, diz

"Meu filho morreu na fila"
Rafael Paim, 32 anos, professor de engenharia de produção no Rio de Janeiro e criador da associação DoeAção, faz campanha pela doação de órgãos a bebês e crianças em todo o país. Seu filho, Arthur, nasceu em 14 de novembro de 2005 e morreu em 4 de abril de 2006

André Valentim

MORTE NA FILA DO CORAÇÃO

Um exame de ultra-sonografia revelou a Rafael Paim e Beatriz Blauth Santos que seu primeiro filho, ainda na barriga da mãe, só tinha metade do coração saudável. De acordo com o diagnóstico (hipoplasia das cavidades esquerdas), metade de seu coração não funcionaria depois do parto. Com sete dias de vida, já havia passado por duas cirurgias cardíacas e o problema não fora resolvido. Como seu caso era grave, entrou em primeiro lugar na lista de espera para transplante de coração em São Paulo. Assustados com a ausência de doadores, Rafael e Beatriz procuraram a imprensa e criaram a ONG DoeAção. Em poucos dias, a saga de Arthur virou campanha nacional. “A cada matéria, eram mais dois doadores que apareciam”, diz Rafael. Mas, além dos problemas de incompatibilidade que há em qualquer transplante, o casal teve de enfrentar inexplicáveis barreiras burocráticas. “Nosso filho poderia ter sido salvo em pelo menos dois casos. Em ambos havia compatibilidade e disposição da família doadora”, diz Rafael. Em uma dessas vezes, o transplante foi descartado pelo médico da criança doadora que, sem justificativa formal, simplesmente rejeitou o procedimento solicitado pela família. Em outra situação, por um erro de encaminhamento, a família doadora foi orientada a procurar uma delegacia e o prazo para o transplante expirou. Uma semana depois, o coração de Arthur parou de funcionar. Ele morreu com menos de cinco meses.

Mais do que a falta de doadores, para Rafael, o maior problema do transplante no Brasil é a ausência de estrutura e a agilidade no sistema de saúde para a notificação de que há um órgão disponível. “Os hospitais não têm estrutura e os médicos acabam gastando muito tempo para checar todos os exames necessários. Eles acabam indo embora e a doação se perde”, diz. “O maior problema desse país é a falta de ação”. Rafael teme que operação da Polícia Federal prejudique ainda mais esse cenário ao deixar os doadores e os médicos receosos com o processo de transplante. “Esses casos são pontuais, há muita gente na lista esperando pelo transplante. Se isso acontecer, serão mais vidas perdidas”.

Enquanto lutava pela vida do filho, Rafael lembra de uma manhã em que acordou chorando, sufocado pela falta de possibilidades no sistema de saúde brasileiro. “Fiz pesquisas para internar o Arthur nos Estados Unidos, mas descobri que só para entrar na fila e no hospital americano eu precisaria desembolsar um milhão de dólares”. Ele jura que nunca cogitou a hipótese de entrar em um esquema de compra de órgãos. “A coisa mais repugnante que já ouvi foi uma sugestão de comprar um coração em uma clínica de aborto. Eu jamais faria algo assim, fora da lei, isso sempre esteve totalmente fora de questão”, afirma. Ainda assim, até hoje Rafael recebe e-mails de pais desesperados por encontrar um órgão compatível com o seu filho, mesmo que por meio do tráfico de órgãos.

Depois que Arthur morreu, Rafael foi para os Estados Unidos terminar seu doutorado em engenharia de produção na Carnegie Mellon University, no estado da Pensilvânia. De volta ao Brasil, ele e a mulher decidiram ter o segundo filho. Vitor tem 4 meses.

"Tento levar uma vida normal"
Ana Carolina Ferreira Ballestê, 25 anos, farmacêutica, precisará receber um rim, mas ainda não está na fila de transplante

André Valentim

À ESPERA DE UM RIM

A farmacêutica Ana Carolina perdeu a função normal de seus rins aos 16 anos. O órgão foi atacado por uma doença autoimune, o lúpus. “Os médicos levaram dois anos para acertar o diagnóstico”, diz. Quando chegou ao tratamento certo, uma quimioterapia, já era tarde para salvar os rins. Hoje com 25 anos, ela trabalha com análise de qualidade de vacinas na Fundação Oswaldo Cruz. Seu conhecimento técnico de imunidade a ajuda a entender o mal que levou seu rim e o que será preciso para compatibilizar seus anticorpos com um novo órgão doado. As esperanças de Ana Carolina concentram-se em conseguir um rim de algum de seus parentes. O órgão de um doador vivo dura cerca de 25 anos. O retirado de paciente, aproximadamente 9. Também dispensa a angustiante fila de espera. Ana Carolina ainda não precisou começar com a hemodiálise. “Tento levar uma vida normal, mas me cuido muito para evitar problemas”, diz. O mais complicado é a dieta. Todos os ingredientes precisam ficar de molho durante 12 horas para tirar o potássio. Ana Carolina tem direito a 50 gramas de proteína por semana. “São dois bifes menores que a palma da minha mão. E se eu escolher carne, não posso mais comer queijo, frango nem peixe. Eu vou planejando qual prazer vou querer em cada semana”, diz.

§ Leia as últimas notícias

§ Leia outras reportagens desta edição

Estado não muda sistema de captação de órgãos para transplante

Estado não muda sistema de captação de órgãos para transplante

Raphael Lima, Jornal do Brasil

RIO - A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio e o Ministério da Saúde não vão mudar a forma de captação de órgãos para transplantes no Estado. Segundo eles, a doação independe da vontade do Estado, já que parte da decisão de cada cidadão ou da autorização de sua família. Para realizá-la, é preciso que uma pessoa tenha morte cerebral e que o Hospital comunique a central de Transplantes do Estado.

As cirurgias de transplantes são realizadas apenas em hospitais credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS). Para coração, por exemplo, apenas nove unidades estão credenciadas em todo Estado. O transplante de córneas não está sendo feito pois o único responsável pela captação do órgão, o Banco de Olhos do Estado, parou de funcionar.

O presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos do Rio (Adote-RJ), Rafael Paim, sugere medidas imediatas para o Rio melhorar a captação de órgãos e reconquistar a confiança de doadores. Para Paim, o Estado deveria copiar exemplos de São Paulo, como criação de organizações de procura de órgãos, que vasculha hospitais em busca de pessoas com morte encefálica.

– Não podemos é deixar de copiar exemplos por questões políticas. Isso é palhaçada, uma grande bobagem. Idéias boas têm de ser copiadas – disse Paim

Segundo o Ministério da Saúde, 60% das mortes encefálicas não são notificadas pelos hospitais, prejudicando o sistema de transplantes.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO), que fica em São Paulo, é uma medida simples que combate a escassez de comissões de captação de órgãos nos hospitais que, por lei, deveria haver em todos os hospitais. No Rio, porém, dos 280 hospitais, apenas 75 possuem comissões.

As OPOs de São Paulo são divididas em regionais e necessitam apenas de um carro e de uma equipe de assistentes sociais e médicos para funcionar. A equipe realiza o que é proposto por Paim. Vai de hospital em hospital à procura de pessoas que tiveram morte encefálica.

Novo programa

Outro problema comum na captação de órgãos no Rio é a escassez de neurologistas, imprescindíveis para o diagnóstico de morte encefálica. A Adote, porém, tem um projeto que está sendo desenvolvido pela IBM: os eletroencefalogramas seriam interligados a um programa de computador em cinco hospitais, capacitados com dois neurologistas cada um responsáveis por ler e constatar a morte encefálica.

Nesta sexta-feira, a Academia Nacional de Medicina, soltou uma nota sobre os recentes episódios, que diz o seguinte: - A Academia Nacional de Medicina, em sessão secreta, atenta aos princípios éticos e à responsabilidade social da prática médica, manifesta sua extrema preocupação com as conseqüências negativas institucionais dos fatos noticiados recentemente. Reafirma o respeito inquestionável devidos à UFRJ e a seu Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e a importância de resguardar o programa de transplantes do Estado do Rio de Janeiro.

[00:35] - 02/08/2008

 

 

Esquema de fraude expõe fragilidade do sistema de transplantes no Rio

 

Carolina Bellei, Jornal do Brasil

RIO - A ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a União e o Estado para instalação de um banco de olhos público e a prisão, anteontem, do ex-coordenador do Rio Transplante, Joaquim Ribeiro Filho, expõem a crise e a fragilidade do sistema de transplantes do Rio de Janeiro. Enquanto isso, 7.444 pessoas esperam na fila por uma chance de sobreviver.

O Estado do Rio ocupa a segunda colocação no ranking do Ministério da Saúde de pessoas que esperam pelo transplante, atrás apenas de São Paulo. Mas um dos grandes contrastes é quanto ao modelo utilizado pelos paulistas.

A adoção do sistema Operação Procura Órgãos (OPO) no estado, uma iniciativa dos hospitais credenciados ao Ministério da Saúde, possibilitou, por exemplo, uma queda crescente na lista de pacientes atendidos. Só entre os transplantes de córneas realizados este ano, em comparação ao mesmo período de 2007, a fila diminuiu em 37%. Foram realizados nos seis primeiros meses do ano 3.521 operações em São Paulo, contra 60 feitas no Rio.

Além da lista de espera de São Paulo ser totalmente informatizada e conter informações minuciosas sobre todos os pacientes, a OPO aumentou substancialmente o número de doadores e agilizou muito o processo.

– São mais de 5 mil municípios e um não troca experiência com o outro - se indigna Rafael Paim, presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos, que completa. – Pelo menos há três anos esse modelo pioneiro no país foi adotado pelos paulistas e até hoje nenhum outro estado utiliza.

A presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio, Márcia Rosa Araújo, lembra que é necessário um controle maior para que a corrupção não tenha lugar.

– Sempre vai ocorrer brechas para as fraudes na sociedade. Sempre prevalece o poder econômico sobre a vida das pessoas – afirma Márcia. –

Então, deve haver um controle não só da coordenação de transplantes, do Ministério e da Secretaria, mas também dos principais interessados, como as associações dos transplantes.

Calamidade pública na saúde

Depois que o médico Joaquim, chefe da equipe de transplantes no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, foi preso, o Ministério da Saúde ordenou que as operações de fígado fossem realizados apenas no Hospital Geral de Bonsucesso.

O Hospital do fundão continua atendendo normalmente, mas os 1.077 pacientes que aguardam por um fígado, por enquanto, só podem ser operados pela única equipe de Bonsucesso.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Jorge Darze, a situação de crise do sistema de transplantes do Rio só reafirma o estado de calamidade pública da saúde do Rio, decretado em 2005 e que até hoje não foi revogado pelo presidente Lula.

– É necessário que os governos se comprometam a soerguer o sistema de saúde. Não há rede básica, estrutura necessária e nem hospitais adequados. Sem falar da baixa remuneração dos profissionais, que para realizar transplantes precisam de uma qualificação grande, mas têm que se submeter a um salário de R$ 1.500 na rede pública – avalia Darze. – A nossa deficiência é alimentada pela impunidade. Não há vontade política para a saúde.

[23:43] - 31/07/2008

 

 

 

Na fila, mas com desconfiança

Na fila, mas com desconfiança

Estado não muda sistema de captação de órgãos para transplante e deixa pacientes apreensivos

Raphael Lima

A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio e o Ministério da Saúde não vão mudar a forma de captação de órgãos para transplantes no Estado. Segundo eles, a doação independe da vontade do Estado, já que parte da decisão de cada cidadão ou da autorização de sua família. Para realizá-la, é preciso que uma pessoa tenha morte cerebral e que o Hospital comunique a central de Transplantes do Estado.

As cirurgias de transplantes são realizadas apenas em hospitais credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS). Para coração, por exemplo, apenas nove unidades estão credenciadas em todo Estado. O transplante de córneas não está sendo feito pois o único responsável pela captação do órgão, o Banco de Olhos do Estado, parou de funcionar.

O presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos do Rio (Adote-RJ), Rafael Paim, sugere medidas imediatas para o Rio melhorar a captação de órgãos e reconquistar a confiança de doadores. Para Paim, o Estado deveria copiar exemplos de São Paulo, como criação de organizações de procura de órgãos, que vasculha hospitais em busca de pessoas com morte encefálica.

– Não podemos é deixar de copiar exemplos por questões políticas. Isso é palhaçada, uma grande bobagem. Idéias boas têm de ser copiadas – disse Paim

Segundo o Ministério da Saúde, 60% das mortes encefálicas não são notificadas pelos hospitais, prejudicando o sistema de transplantes.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO), que fica em São Paulo, é uma medida simples que combate a escassez de comissões de captação de órgãos nos hospitais que, por lei, deveria haver em todos os hospitais. No Rio, porém, dos 280 hospitais, apenas 75 possuem comissões.

As OPOs de São Paulo são divididas em regionais e necessitam apenas de um carro e de uma equipe de assistentes sociais e médicos para funcionar. A equipe realiza o que é proposto por Paim. Vai de hospital em hospital à procura de pessoas que tiveram morte encefálica.

Novo programa

Outro problema comum na captação de órgãos no Rio é a escassez de neurologistas, imprescindíveis para o diagnóstico de morte encefálica. A Adote, porém, tem um projeto que está sendo desenvolvido pela IBM: os eletroencefalogramas seriam interligados a um programa de computador em cinco hospitais, capacitados com dois neurologistas cada um responsáveis por ler e constatar a morte encefálica.

Ontem, a Academia Nacional de Medicina, soltou uma nota sobre os recentes episódios, que diz o seguinte: "A Academia Nacional de Medicina, em sessão secreta, atenta aos princípios éticos e à responsabilidade social da prática médica, manifesta sua extrema preocupação com as conseqüências negativas institucionais dos fatos noticiados recentemente. Reafirma o respeito inquestionável devidos à UFRJ e a seu Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e a importância de resguardar o programa de transplantes do Estado do Rio de Janeiro."

[ 02/08/2008 ]   02:01

 

 

Abraços,

 

Rafael Paim

 

Adote e Doeação – Ajude.  Você se sentirá feliz.

 

Emails:
          rafael@doeacao.org.br
          paimrafael@gmail.com
Telefones:

          Adote/Doeação:    +55 21 8101-6028
          Celular:                  +55 21 8223-0532

Sites
          www.adote.org.br

          www.doeacao.org.br

 

01 agosto, 2008

Mensagem da Adote sobre o Comércio de Órgãos no Rio de Janeiro

Senhores e Senhoras da Impressa e da Sociedade Brasileira

 

Diante do ocorrido e das notícias publicadas na impressa a partir de 30 de julho de 2008 sobre a investigação do comércio de órgãos da Polícia Federal no Rio de Janeiro, a ADOTE tem três mensagens centrais:

Primeiro, Apoiamos a Investigação e a divulgação que há conseqüências para quem não respeita a fila;  Sobre nosso apoio a investigação e as conseqüências: Achamos muito importante que haja ações para assegurar pleno respeito a fila de transplante e assim apoiamos a investigação da Polícia Federal;

Segundo, Aguardamos os fatos e não declaramos ninguém culpado, mas temos repúdio ao comércio da vida; Sobre nossa expectativa por uma definição rápida e justa: achamos que somente a polícia federal tem poder de investigação e acesso aos fatos, assim, não nos posicionamos sobre os envolvidos serem culpados ou não, mas entendemos que  tanto a polícia deve investigar quanto os envolvidos devem ter direito de se defenderem e, sobretudo, achamos que verdade deve prevalecer e ser informada urgentemente.  As conseqüências devem ser resultado da aplicação da lei, dos fatos e nos valores de nossa sociedade;

Terceiro, Há necessidade de compensar o efeito terrível sobre o medo de nossa sociedade - de notícias como essa – que resulta na redução das doações. Por fim, e sobre os impactos negativos das reportagens, o mais importante para a ADOTE, interessada em aumentar o número de doações e vidas salvas pelo transplante, é o fato de sabermos que a impressa sempre deve publicar mensagens sobre comércio real de órgãos, mas deve estar consciente que estas mensagens provocam uma grande redução no número de doações e, assim, em nossa opinião, devem - além de divulgar - reforçar a necessidade da população se empenhar em doar e cobrar do Estado e de todos os agentes envolvidos medidas para que o respeito a vida e a fila de transplantes seja uma grande prioridade.

 

Sempre no caminho de criar e ampliar a cultura de doação de órgãos e tecidos no Brasil, agradecemos a atenção e nos colocamos a disposição para ajudar,

 

ADOTE – Aliança pela Doação de Órgãos e Tecidos

 

Sinceramente,


Rafael Paim

Presidente ADOTE/Doeação – Rio de Janeiro

doeacao@doeacao.org.br

www.adote.org.br

www.doeacao.org.br