03 outubro, 2007

O caso Mathues: Doação de Medula

DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO ARNON BEZERRA (PTB/CE), NA SESSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS


Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,

Símbolo de uma campanha que mobilizou o Ceará e o Brasil, Mateus Cariri Araripe de Aquino tinha apenas quatro anos quando faleceu, no domingo, 9 de setembro, em Fortaleza. Ele foi vitimado por um linfoma linfoblástico B, que é um tipo de câncer infantil, raro.
A despedida, no cemitério Jardim Metropolitano, arrastou uma multidão. Todos queriam homenagear Matheus. Em apenas um mês de uma mobilização iniciada pela família do pequeno, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) viu multiplicar seu cadastro de doadores de medula.
A história do Matheus foi curta, mas dramática, envolvente e emocionante. Iniciou em Fortaleza, quando ele começou a tratar do câncer. Ele vinha respondendo muito bem ao tratamento, mas no final de Junho teve de ser transferido para Hospital Boldrini, em Campinas-SP.
A criança estava dando sinais de respostas positivas à quimioterapia, mas para haver a consolidação do tratamento era necessário fazer um transplante de medula óssea. Para isso é preciso que haja uma total compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Infelizmente os familiares do Matheus não foram compatíveis. Por isso, foi lançada uma campanha, no Ceará, que teve grande repercussão no Estado e em todo o Brasil em prol de doação de medula óssea. Milhares e milhares de pessoas se comoveram e se apresentaram voluntariamente para fazer o teste de compabitilidade.
Apenas em duas cidades do interior do Ceará, foram reunidos 8.200 doadores, muito embora o Hemoce não disponha ainda de estrutura para atender toda a demanda de doadores que apareceu devido aos apelos da família de Matheus. A intenção nobre e louvável da família de Matheus agora é ampliar a campanha iniciada à época em que o menino aguardava por doação. Eles pretendem continuar com a campanha de doação de medula para que outras crianças possam ser atendidas e muitas vidas sejam salvas.
Entretanto, mesmo sem ter logrado êxito em relação ao pequeno Matheus, esse movimentou já beneficou quatro pacientes, renovando a esperança de vida de várias famílias, o que por si só já se constitui numa grande vitória, nessa luta.
Corroborando essa ação afirmativa da família de Matheus Cariri Araripe de Aquino, tenho a satisfação de anunciar, Senhor Presidente, que estou entrando com um projeto de lei que trata exatamente da questão da doação de órgãos.
Essa é uma questão no Brasil que precisa ser revista com urgência. Não existe nenhum incentivo, nenhum benefício para os doadores de órgãos e de medula. Do jeito que a doação é tratada, nós só vemos a cada dia aumentar a fila de pessoas que aguardam por um transplante, numa espera triste, desesperada e incerta. Constantemente os meios de comunicação mostram o depoimento emocionado de brasileiros e brasileiras que conseguiram se salvar e sobreviver graças à solidariedade de familiares que resolveram doar órgãos de seus queridos mortos ou também de outros que doaram ainda em vida, no caso da medula. Mas essa solidariedade, infelizmente, ainda é casual. É quase por sorte que os doentes conseguem uma doação a tempo de salvar suas vidas.
O certo, Senhor Presidente, é que a doação entre nós fica muito aquém das reais necessidades de tantos e tantos que necessitam de uma córnea, de um rim, de um coração, fígado, medula.
O Projeto de Lei que apresento estabelece diversos benefícios e incentivos para todos os doadores em vida, descendentes e ascendentes de doadores post mortem, diretamente responsáveis pela doação como por exemplo credenciais de caráter vitalício que permitam o atendimento prioritário em todo o Sistema Único de Saúde do País, para todos os procedimentos, inclusive cirúrgicos, de internação e de UTI – Unidade de Tratamento Intensivo.
Por outro lado percebemos que os órgãos encarregados de possibilitar o devido aproveitamento dos órgãos doados muitas vezes não têm estrutura ou agilidade em sua atuação. Os órgãos perecem em curtíssimo período de tempo. Muitas famílias, inclusive, se sentem frustadas quando descobrem que os órgãos doados por seus parentes mortos não foram utilizados por quem necessitava. Essa frustração é perfeitamente compreensível e se constitui em desmotivação para as demais pessoas que queiram doar. Isso lamentavelmente tem ocorrido com bastante freqüência.
Para corrigir essa distorção a proposição que estou apresentando determina punição a todos os que são responsáveis pela guarda e manutenção dos órgãos e que, por negligência, imperícia ou desorganização permitam a inutilização desses órgãos.
Esse Projeto de Lei que ora apresento, Senhor Presidente, tem até sido chamado, pelas pessoas que dela tomaram conhecimento, de “Lei Matheus” em homenagem à memória daquela criança cearense ceifada pela morte em idade tão tenra, à sua família e amigos. E também em honra a todos os cearenses tão generosos e solidários que se mobilizaram e se mobilizam ainda para salvar a vida do próximo. Isso só aumenta nossa expectativa de que melhorias sejam introduzidas na lei que trata da doação de órgãos com o objetivo de ajudar milhares de pessoas por todo o Brasil que estão na triste fila de espera por uma boa notícia de que finalmente terão esperança de continuar usufruindo desse maravilhoso dom que Deus nos dá que é a vida.
Era o que tinha a dizer, Senhor Presidente.
Sala das Sessões, em de setembro de 2007.


Deputado ARNON BEZERRA
PTB/CE

02 outubro, 2007

01/10 SC é líder na doação de órgãos

Por ALESSANDRO BONASSOLI

Saúde, Solidariedade - Sexta, 01 de outubro de 2007
Estado possui 1.233 pessoas na lista de espera por transplante

Um dia inteiro para desmistificar o transplante de órgãos. Com essa meta, a Associação dos Pacientes Renais de Santa Catarina (Apar) e a SC Transplantes, uma central de captação de órgãos ligada à Secretaria de Estado da Saúde, uniram forças ontem nas principais cidades catarinenses.
Em Florianópolis, a campanha aconteceu no Terminal de Integração do Centro (Ticen), onde foram distribuídos cerca de 30 mil panfletos de orientação.
‘Nossa meta era distribuir os 40 mil que conseguimos entregar em 2006. Mas, com a chuva, isso não foi possível. Ainda não temos uma estatística fechada, mas 30 mil é possível afirmar’, afirmou Humberto Floriano Mendes, tesoureiro da Apar.
A campanha foi realizada no Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, para tentar chamar ainda mais a atenção da população para o tema.
Santa Catarina é o Estado líder em doação de órgãos no Brasil. Só no primeiro semestre de 2007 foram 14,7 doadores para cada mil habitantes, quase três vezes a média nacional, de acordo com o governo estadual.
Segundo a Apar, 50% das famílias permitem doações de seus integrantes que morrem. Isso ainda é pouco.
‘Precisamos é criar a cultura da doação de órgãos’, comentou Mendes. ‘Mas existem as questões religiosas, os preconceitos e as dúvidas sobre como são feitos os transplantes’, lamenta o dirigente da Apar.
Ele explica que o transplante só ocorre em caso de morte cerebral e nunca quando o paciente está em coma. ‘Ainda assim, são necessárias as confirmações de dois médicos e uma terceira, com um médico da família, também é permitida’, diz Mendes.
Somente hospitais e clínicas credenciados podem efetuar as cirurgias.
Professora vai conscientizar seus alunos
A Associação dos Pacientes Renais de Santa Catarina explica que nem todas as pessoas podem fazer doações e nem todos os doentes podem receber órgãos de terceiros. Cada caso precisa ser avaliado e autorizado por um médico.
No caso dos pacientes renais, a necessidade de transplante é comum para quem sofre de doenças como nefrite, pielonefrite, diabetes e tem pressão alta.
A professora de ensino médio Sandra Helena Sauer, 37 anos, já sabia destes dados. ‘Decidi ser doadora há muito tempo’, contou, enquanto media a pressão no estande montado no Ticen para a realização da campanha.
‘Tenho um amigo que precisou receber um fígado e, se não existissem doadores, ele teria morrido há cinco anos’, lembra.
Este exemplo dá para ela a certeza da importância de campanhas como esta. ‘Quanto mais doadores existirem, mais gente vai ter a vida prolongada’, afirma Sandra, que vai levar para seus alunos as dicas sobre a necessidade de propagar e vivenciar a cultura dos transplantes.
Fonte: Redação Notícias do Dia

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30 setembro, 2007

30/09 - 18:00Norton Nascimento lança campanha de doação de órgãos

Fonte: Internet.

Na próxima sexta-feira (5), o ator Northon Nascimento retomará sua carreira e sobe no palco paulistano, no teatro Juca Chaves, no Itaim, São Paulo, com a peça Adão e Eva, o clássico.
A comédia é escrita por Kely Nascimento, mulher do ator que, em conversa com OFuxico, conta que a peça também tem a função de promover uma Campanha Nacional de Doação de órgão.
Para quem não se lembra, Northon há três anos e meio, recebeu um coração de um doador, o que lhe salvou a vida.
“O coração era de um médico que morreu em um acidente de moto e o pai do rapaz fez o gesto nobre de doar todos os órgãos dele. Northon ficou com o coração, o que lhe garantiu a vida”, diz Kelly.
Ela explica ainda que a pré-estréia da peça registrará, pela primeira vez, o encontro de Northon com o pai do doador.
A peça Adão e Eva, o clássico, escrita pela Kely Nascimento, segundo Kely remete a primeira doação da história. “Foi quando Adão doou uma costela para Eva. ”
A partir daí, Kely explica que a comédia traz situações de cotidiano de um casal. “Os dois se apaixonam e casam em 24 horas “, diz. Mas surgem os conflitos de relacionamento. “Adão é um obsessivo por trabalho e que gosta de comer e ela é toda natureba. “
O jeito é então procurar um terapeuta. “A peça é muito atual”, completa Kelly.
“Os dois então chegam a uma conclusão: eles só enxergam diferenças e o que faltou mesmo foi a doação, de paciência, de amo, de afeto.”
Serviço:
Teatro Juca Chaves
Dentro do Extra Itaim
Quartas e quintas-feiras
A partir do dia 10 de outubro, até o final do mês.
Direção: Bartolomeu De Raro

Transplantado diz que estar na fila do transplante é “esperar pela vida”

Por Gláucia Gomes Repórter da Agência Brasil


Brasília - Há 13 anos, o economista Humberto Floriano Mendes fez um transplante renal, tendo como doadora a irmã. Ele conviveu com o novo rim por 12 anos e por causa de infecções sofridas durante esse período, Humberto perdeu o rim e hoje aguarda um novo doador na fila de transplantes.Para Humberto, o sentimento de estar a espera de um órgão compatível é como “esperar pela vida”. “Hoje eu sou dependente de uma máquina para poder ter uma vida. Eu faço hemodiálise três vezes por semana, com duração de quatro horas cada sessão. Então, eu não tenho, atualmente, uma vida social, nem profissional em função da dependência da máquina”.Na opinião de Humberto, o que falta na sociedade é uma “cultura para transplante”. Para ele, apesar disso, a sociedade está evoluindo ao ver a realidade e os benefícios dos transplantes, além de uma legislação específica.
Ele disse que as pessoas que estão na fila de transplante aguardam pela vida. “A gente precisa da solidariedade das famílias para que a doação aconteça. É preciso ter fé, paciência, tranqüilidade e confiar no ser humano. É preciso confiar no médico e na ciência que está evoluindo”.Humberto faz um apelo: “Que as pessoas conversem com seus familiares. Porque a doação é realizada pelos familiares, a gente sabe que na hora da doação é um momento difícil. É quando o familiar é procurado e informado que houve a morte encefálica. Hoje não existe documento, carteira, nada. Então, a gente pede que as pessoas dispostas a doar, comuniquem aos seus familiares, para que na hora do ocorrido possa acontecer a doação”.De acordo com o Ministério da Saúde, o programa de transplantes do Sistema Único de Saúde (SUS) é o segundo maior do mundo, superado apenas pelo da Espanha. Entre 2001 e junho deste ano, foram realizados 87.444 transplantes pelo SUS. Atualmente, 71.152 brasileiros estão na fila de espera de órgãos para transplante. No ano passado, o SUS gastou cerca de R$ 460 milhões com transplantes de órgãos e tecidos.Existem no Brasil 71.152 pacientes em lista de espera para transplante, sendo 42.282 para órgãos sólidos, 26.793 para córnea e 2.063 para medula óssea. Veja, abaixo, o número de pacientes por órgão.Ontem (27), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou campanha para incentivar a doação de órgãos.','').replace('','') -->