05 janeiro, 2010

Cremerj e Sesdec se unem pela manutenção do doador de órgãos

 

Câmara Técnica do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) organizou na última quinta-feira, dia 20 de agosto, em sua sede, o Fórum da Câmara Técnica de Terapia Intensiva – Manutenção do Doador de Órgãos. O objetivo do encontro, que contou com a participação de cerca de 80 médicos, foi promover o debate em relação às questões que envolvem o transplante no Brasil e padronizar as condutas referentes ao paciente na UTI para doação de órgãos. O Fórum teve o apoio da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) e a participação dos profissionais da secretaria.

Uma das palestras de maior destaque foi da assessora da Subsecretaria de Atenção à Saúde da Sesdec, Isabela Simões. No Módulo "Protocolo clínico de manutenção do doador", ela abordou todos os procedimentos que devem ser realizados para manter o doador com o coração batendo até a extração dos órgãos. 

− O doador é um paciente em estado muito grave, então são necessários cuidados específicos já que vários sistemas estão comprometidos como, por exemplo, os mecanismos de estabilização da pressão e da temperatura − explicou Isabela. 

Já o coordenador da Central de Transplantes, Sandro Montezano, falou da experiência da central principalmente no que diz respeito aos tempos envolvidos em cada etapa do processo de doação. "A experiência da rede própria do estado" foi o tema do módulo de Antonio Carlos Babo Rodrigues, coordenador das Unidades de Cuidados Intensivos do Hospital Estadual Getúlio Vargas. Babo levou ao fórum a experiência dos hospitais da Rede. Outra moderadora da Sesdec no encontro foi a coordenadora da terapia intensiva, Rosane Goldwasser, que abordou a importância da regulação do sistema de doação e transplantes de órgãos.

Todo hospital com mais de 80 leitos tem, por lei, a obrigação de ter uma comissão intra-hospitalar para notificar e regular o transplante de órgãos entre as unidades hospitalares. As comissões devem ser indicadas pelos diretores dos hospitais, para aumentar as notificações de óbitos como a viabilização da própria doação. 

− Essas comissões são obrigatórias, mas muitas não funcionam adequadamente, por isso uma parte do processo f= ica ainda mais lento. A Secretaria quer profissionalizar essas comissões para agilizar os transplantes. Na Espanha, por exemplo, 85% dos médicos são intensivistas e podem ajudar muito. Em outubro vamos realizar um curso para os intensivistas com o objetivo de sensibilizar essa classe para a doação - explicou Isabela. 

Outro destaque do fórum foi o presidente da Associação Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), Rafael Paim Cunha Santos. Ele liderou o módulo que teve como tema "As coisas importantes devem ser ditas em vida". Em sua apresentação, Rafael falou da importância de as pessoas deixarem claro ainda em vida para a família o desejo de ser doador. Segundo pesquisa recente do Instituto Datafolha, 70% dos brasileiros doariam seus órgãos. O coordenador da Comissão de Bioética do Cremerj, Arnaldo Pineschi, abordou o tema "Como dar a má notícia: aspectos éticos, sociais e religiosos", sobre toda a questão ética envolvida na hora de dar má notícia para a família do doador. 

Para Pablo Vazquez, conselheiro responsável pela Câmara Técnica de Terapia Intensiva do Cremerj, encontros como este podem ajudar a aumentar a quantidade de doadores no Rio de Janeiro. 

− A precariedade do sistema de saúde e a dificuldade no diagnóstico de morte encefálica estão entre as principais responsáveis pela baixa captação de órgãos. Também é preciso considerar aspectos éticos, religiosos ou sociais − avaliou Pablo.

 

04 janeiro, 2010

Doar órgãos é um ato de amor

Para algumas pessoas o transplante pode ser a única forma de sobreviver

Por Vanessa Sagossi

vanessa.sgs@oestadorj.com.br

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Segundo a Dra. Rosana Trindade, psicóloga clínica e psicóloga hospitalar do Programa de Transplante Hepático da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, durante a espera deve ser realizado com o paciente um trabalho de informação e orientação e propiciar contato com outros pacientes já transplantados.

 

Sandra Amorim, psicóloga que trabalhou durante 11 anos com pacientes que estavam na fila, lembra que a espera desperta sentimentos como ansiedade, incerteza e receio de morrer antes do transplante ocorrer. “Deve-se procurar acolher essa angústia implicada na espera tentando aliar isso à idéia de que muitos aspectos da qualidade de vida poderiam ser cuidados enquanto a cirurgia não ocorre”, explica.

 

Rosana lembra que os aspectos da personalidade do paciente também são levados em consideração na escolha da psicoterapia grupal ou individual. “Ao longo deste processo de avaliação, o psicólogo procura averiguar aspectos que representem uma falta de adaptação emocional mais severa e que demandem seguimento por parte deste profissional”, explica Sandra.

 

O trabalho pós-transplante procura ajudar o paciente a se adaptar à sua nova condição de vida. Após o procedimento ser efetuado, Rosana diz que é importante evitar a dependência da psicoterapia. “O paciente precisa retomar sua independência, sua vida, seus projetos, etc.”, argumenta a psicóloga.

 

Ajudar o próximo é questão de escolha

 

Celia Regina Carpinelli, mãe da jovem Vitória Carolina, que faleceu de aneurisma cerebral aos 18 anos, explica como é difícil tomar a decisão da doação em uma hora tão complicada. “Doar órgãos não é fácil e por isso tem que ser uma idéia antiga, já plantada em nossos corações, não podemos deixar para decidir na hora, senão não doaremos”, diz.

 

Celia, que diz querer também ser uma doadora, conta que sua filha ajudou a salvar outras cinco vidas. “Senti que fiz o que ela desejava. Nunca vi minha filha vivendo em outras pessoas, ela era muito mais do que rins, coração ou músculos”, completa.

 

Celia Regina e seus pais também fazem campanha distribuindo folhetos para conscientizar a população. “O que me dá forças para continuar é minha própria filha, ela ainda é minha filha e será para sempre. Hoje, vivendo o melhor que posso, eu a ajudo e espero o reencontro que talvez haja realmente”, finaliza.

 

Marise Myrrha, professora universitária, doou um de seus rins ao seu irmão Rubem Myrrha. Marise afirma que apesar de sentir medo e receio quanto ao procedimento tomou a decisão pensando que se essa fosse a única forma de seu irmão se curar, ela doaria. “Não tenho a menor dúvida que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, afirma.

 

Quatorze anos após o transplante, a professora assegura nunca ter tido qualquer problema de saúde e que seu irmão agora vive com qualidade de vida. “Poder salvar a vida de alguém é uma sensação maravilhosa. É como se eu tivesse tido mais um filho, além dos três que eu já tinha”, diz.

 

De volta a esperança de quem ganhou uma vida nova

 

Segundo Rafael Paim, presidente da ADOTE, Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos, a qualidade de vida do paciente melhora bastante. “Para algumas pessoas, portadoras de certas doenças mais graves, a cirurgia representa a única chance de sobrevivência”, ressalta.

 

O consultor Rubem Myrrha diz ter nascido de novo depois que recebeu o transplante renal que precisava. “Hoje levo uma vida 100% normal. Faço caminhada, natação, pilates, trabalho, como de tudo, bebo de tudo, viajo. Enfim, restrição zero”, afirma.

 

Depois de passar por uma grande ansiedade de conversar por pessoas que tivessem passado por essa situação, Rubem resolveu escrever um livro que ajudasse as pessoas nesse momento. “Sempre uma esperança”, desvenda as perguntas que ocupam o pensamento desses pacientes, como o que acontece no pós-operatório, como fica alimentação ou que tipo de medicamento é recomendado. “Assim, fiz um propósito de passar minha experiência para outras pessoas que pudessem dela se beneficiar”, explica.

 

Rubem lembra o quanto é importante ser doador. “Pois só quem já passou pela angústia que eu passei sabe o quanto é importante ter mais órgãos para aumentar o número de transplantes”, completa.

 

Assegurando que não teve problema algum com o procedimento, Rubem manifesta a vontade de também ser um doador. “Só não posso doar o rim... Mas o que puder ser aproveitado está à disposição”, ressalta.

 

http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=4283&editoria=Ci%EAncia%20e%20Sa%FAde

Pernambuco bate recorde em transplantes pelo segundo ano consecutivo

Pernambuco bate recorde em transplantes pelo segundo ano consecutivo


 

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou hoje o balanço da Central de Transplantes de Pernambuco (CTPE). De janeiro e novembro de 2009, foram realizados 982 transplantes, 16 a mais que no mesmo período em 2008. O maior destaque foram os transplantes renais, que passaram de 150 para 162 cirurgias feitas.

 

De acordo com a coordenadora da CTPE, Zilda Cavalcanti, o crescimento dos transplantes no estado se deve ao trabalho contínuo de sensibilização da população para o tema e a perspectiva é chegar a 1.100 transplantes em 2010. Para isso, o central espera contar com

as Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), definidas na portaria 2601 do Ministério da Saúde para dar apoio às comissões intra-hospitalares de transplantes e doação de órgãos e tecidos dando andamento do protocolo de morte encefálica e à captação de órgãos e tecidos.

 

Serão instaladas duas OPOs na Região Metropolitana do Recife, uma em Caruaru e outra em Petrolina. Outra meta para 2010 é tornar o transplante de pâncreas uma rotina em Pernambuco. Atualmente, quem precisa de transplantes de pâncreas precisa se inscrever na lista de outro estado, como São Paulo. 

 

Hoje 3.275 pessoas esperam por um transplante para viver com mais saúde. O maior número da lista de espera da CTPE é de pacientes que precisam de um novo rim (1.932 pessoas). Em segundo lugar estão os pacientes que esperam por uma córnea (1.062). Depois, estão os que buscam transplante de fígado (280 pacientes). Apenas uma pessoa aguarda por um transplante de coração.

 

Da Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR