Cremerj e Sesdec se unem pela manutenção do doador de órgãos
| Câmara Técnica do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) organizou na última quinta-feira, dia 20 de agosto, em sua sede, o Fórum da Câmara Técnica de Terapia Intensiva – Manutenção do Doador de Órgãos. O objetivo do encontro, que contou com a participação de cerca de 80 médicos, foi promover o debate em relação às questões que envolvem o transplante no Brasil e padronizar as condutas referentes ao paciente na UTI para doação de órgãos. O Fórum teve o apoio da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) e a participação dos profissionais da secretaria. Uma das palestras de maior destaque foi da assessora da Subsecretaria de Atenção à Saúde da Sesdec, Isabela Simões. No Módulo "Protocolo clínico de manutenção do doador", ela abordou todos os procedimentos que devem ser realizados para manter o doador com o coração batendo até a extração dos órgãos. − O doador é um paciente em estado muito grave, então são necessários cuidados específicos já que vários sistemas estão comprometidos como, por exemplo, os mecanismos de estabilização da pressão e da temperatura − explicou Isabela. Já o coordenador da Central de Transplantes, Sandro Montezano, falou da experiência da central principalmente no que diz respeito aos tempos envolvidos em cada etapa do processo de doação. "A experiência da rede própria do estado" foi o tema do módulo de Antonio Carlos Babo Rodrigues, coordenador das Unidades de Cuidados Intensivos do Hospital Estadual Getúlio Vargas. Babo levou ao fórum a experiência dos hospitais da Rede. Outra moderadora da Sesdec no encontro foi a coordenadora da terapia intensiva, Rosane Goldwasser, que abordou a importância da regulação do sistema de doação e transplantes de órgãos. Todo hospital com mais de 80 leitos tem, por lei, a obrigação de ter uma comissão intra-hospitalar para notificar e regular o transplante de órgãos entre as unidades hospitalares. As comissões devem ser indicadas pelos diretores dos hospitais, para aumentar as notificações de óbitos como a viabilização da própria doação. − Essas comissões são obrigatórias, mas muitas não funcionam adequadamente, por isso uma parte do processo f= ica ainda mais lento. A Secretaria quer profissionalizar essas comissões para agilizar os transplantes. Na Espanha, por exemplo, 85% dos médicos são intensivistas e podem ajudar muito. Em outubro vamos realizar um curso para os intensivistas com o objetivo de sensibilizar essa classe para a doação - explicou Isabela. Outro destaque do fórum foi o presidente da Associação Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), Rafael Paim Cunha Santos. Ele liderou o módulo que teve como tema "As coisas importantes devem ser ditas em vida". Em sua apresentação, Rafael falou da importância de as pessoas deixarem claro ainda em vida para a família o desejo de ser doador. Segundo pesquisa recente do Instituto Datafolha, 70% dos brasileiros doariam seus órgãos. O coordenador da Comissão de Bioética do Cremerj, Arnaldo Pineschi, abordou o tema "Como dar a má notícia: aspectos éticos, sociais e religiosos", sobre toda a questão ética envolvida na hora de dar má notícia para a família do doador. Para Pablo Vazquez, conselheiro responsável pela Câmara Técnica de Terapia Intensiva do Cremerj, encontros como este podem ajudar a aumentar a quantidade de doadores no Rio de Janeiro. − A precariedade do sistema de saúde e a dificuldade no diagnóstico de morte encefálica estão entre as principais responsáveis pela baixa captação de órgãos. Também é preciso considerar aspectos éticos, religiosos ou sociais − avaliou Pablo. |



