Coordenação Intra-Hospitalar de Transplantes
A procura/captação de órgãos, como tudo que se relaciona aos transplantes, tem um desenvolvimento histórico e particularidades regionais. No Paraná, inicialmente, todo o processo, desde a busca ativa de possíveis doadores até a abordagem familiar, era atribuição da Central Estadual de Transplantes. Naturalmente, esta centralização inicial teve seus aspectos benéficos, porém, com o tempo, esse modelo esgotou-se, tanto pelo aumento das notificações, quanto pela expansão das equipes transplantadoras. Houve então, lentamente, uma estruturação interna dos hospitais para a captação de órgãos e tecidos.
Em agosto de 2.000, a Portaria n.º 905 do Ministério da Saúde tornou obrigatória a existência de coordenações intra-hospitalares de transplantes em hospitais com pronto-socorro e/ou UTI de nível II. Também, facultou aos hospitais menores poderem se "afiliar" a uma Coordenação de outro hospital, nos moldes de uma OPO (Organização de Procura de Órgãos). Tal coordenação deve ser nomeada pela direção do hospital e tem como atribuição principal incrementar a captação de órgãos. Esta tarefa implica, na prática, numa gama enorme de atividades.Inicia-se com a detecção de possíveis doadores. Esta pode ser feita por busca ativa, contato telefônico ou pessoal com a(s) unidade(s) de terapia intensiva e pronto-socorro, para identificar possíveis casos de Morte Encefálica. É particularmente importante um bom relacionamento com as equipes médica e de enfermagem das unidades, para que possa ser efetuado um acompanhamento das etapas do protocolo confirmatório de Morte Encefálica, das condições gerais do possível doador e das condições emocionais e de entendimento de seus familiares. A detecção também pode ser passiva, ou seja, apenas através do recebimento de notificação de possíveis doadores pelos setores envolvidos. Esta forma é particularmente interessante nos casos de óbito por parada cardiorespiratória, visando a doação de tecidos (córneas, valvas cardíacas, ossos e cartilagens). Porém, para que funcione, é necessário criar uma "mentalidade de notificação" dentro do hospital. Ou seja, trabalhar para que a enfermeira (ou auxiliar de enfermagem) de cada setor, após confirmação médica do óbito, inclua na sua rotina um telefonema à Coordenação Intra-Hospitalar, notificando-a. É também importante ter um canal de comunicação aberto com a equipe responsável pelo morgue, caso não haja a notificação por parte dos setores.
A Drª Gláucia é formada em medicina intensiva.
Apresentado na Jornada de Profissionais na Área de Transplantes, Curitiba, Pr, 26/04/03.
Texto do site da Secretaria de Saúde do Paraná
Contribuição da colaboradora voluntária do Doeação Juliana Kania



