21 julho, 2006

Coordenação Intra-Hospitalar de Transplantes

O Papel da Coordenação Intra-Hospitalar de Transplantes (Dra. Gláucia Taborda Martins Francisco)

A procura/captação de órgãos, como tudo que se relaciona aos transplantes, tem um desenvolvimento histórico e particularidades regionais. No Paraná, inicialmente, todo o processo, desde a busca ativa de possíveis doadores até a abordagem familiar, era atribuição da Central Estadual de Transplantes. Naturalmente, esta centralização inicial teve seus aspectos benéficos, porém, com o tempo, esse modelo esgotou-se, tanto pelo aumento das notificações, quanto pela expansão das equipes transplantadoras. Houve então, lentamente, uma estruturação interna dos hospitais para a captação de órgãos e tecidos.
Em agosto de 2.000, a Portaria n.º 905 do Ministério da Saúde tornou obrigatória a existência de coordenações intra-hospitalares de transplantes em hospitais com pronto-socorro e/ou UTI de nível II. Também, facultou aos hospitais menores poderem se "afiliar" a uma Coordenação de outro hospital, nos moldes de uma OPO (Organização de Procura de Órgãos). Tal coordenação deve ser nomeada pela direção do hospital e tem como atribuição principal incrementar a captação de órgãos. Esta tarefa implica, na prática, numa gama enorme de atividades.Inicia-se com a detecção de possíveis doadores. Esta pode ser feita por busca ativa, contato telefônico ou pessoal com a(s) unidade(s) de terapia intensiva e pronto-socorro, para identificar possíveis casos de Morte Encefálica. É particularmente importante um bom relacionamento com as equipes médica e de enfermagem das unidades, para que possa ser efetuado um acompanhamento das etapas do protocolo confirmatório de Morte Encefálica, das condições gerais do possível doador e das condições emocionais e de entendimento de seus familiares. A detecção também pode ser passiva, ou seja, apenas através do recebimento de notificação de possíveis doadores pelos setores envolvidos. Esta forma é particularmente interessante nos casos de óbito por parada cardiorespiratória, visando a doação de tecidos (córneas, valvas cardíacas, ossos e cartilagens). Porém, para que funcione, é necessário criar uma "mentalidade de notificação" dentro do hospital. Ou seja, trabalhar para que a enfermeira (ou auxiliar de enfermagem) de cada setor, após confirmação médica do óbito, inclua na sua rotina um telefonema à Coordenação Intra-Hospitalar, notificando-a. É também importante ter um canal de comunicação aberto com a equipe responsável pelo morgue, caso não haja a notificação por parte dos setores.

A Drª Gláucia é formada em medicina intensiva.
Apresentado na Jornada de Profissionais na Área de Transplantes, Curitiba, Pr, 26/04/03.
Texto do site da Secretaria de Saúde do Paraná
Contribuição da colaboradora voluntária do Doeação Juliana Kania

18 julho, 2006

De Pai para Filha

Mensagem enviada pelo Professor Miguel De Simoni para Sua Filha, Clarice De Simoni, ao Completar 21 Anos. Miguel foi meu professor da disciplina de Ética na faculdade e de Amor pela Vida, na Vida.


"Clarice, querida, Essa não é uma resposta a tua carta. É mais uma declaração de amor. De amor por você, por outras pessoas, pela vida.Só o fato de estarmos vivos pode nos indicar a necessidade de amar. Amar a si próprio, aos outros, à natureza. E aprender que o amor não é garantia de que não ocorrerá dor, sofrimento, decepção. Até porque para amar é preciso ver com os olhos do outro.E aí, o que é visto nem sempre é agradável. Mas é necessário para a existência do amor. Amar é reduzir ao máximo as expectativas. E sem ser submisso e covarde, aceitar o que o mundo traz. Clarice, se o destino lhe der um limão, faça uma limonada (pode ser suíça!). Use o planejamento só para iniciar a ação, mas não para dirigi-la até o final. Deixe isso para o coração e tente ver a vida como uma brincadeira, às vezes chata, mas sempre uma brincadeira. Trabalhe, trabalhe sim, mas sem exagero. Brinque, brinque muito, mas não exagere demais. Veja as pessoas como partícipes da mesma brincadeira. Algumas não gostam. Para elas dê o seu perdão. E principalmente, aprenda a se perdoar.Você vai fazer 21 anos e segundo a antroposofia é o fim de sua formação para a vida. E, no entanto, é o início da sua própria formação. Agora, é com você. Por isso, talvez, a necessidade sempre presente dos amigos. Não precisam ser muitos. Mas amigos, homens e mulheres. Eu sou seu amigo. Então você já sabe, conte comigo. Contar comigo não é garantia de resolver seus problemas, nem de conselhos úteis, nem de boas estratégias de vida. Conte comigo é -apenas- sinônimo de eu te amo.No meu coração tem um cantinho que é seu. Ninguém ocupa esse lugar.

Um beijo, com amor,

Miguel."


Abraços

Rafael