02 setembro, 2006

MUNDO GRÃ-BRETANHA MODIFICA LEI DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

LONDRES, 31 AGO (ANSA) - As leis britânicas que regulamentam a doação de órgãos e a retenção de tecidos serão radicalmente modificadas para permitir a realização de uma maior quantidade de doações deste tipo. Sob a nova Lei de Tecidos Humanos, os familiares não terão mais direitos legais para se negarem a cumprir com os desejos da pessoa morta de doar seus órgãos. Além disso, aumentará para três anos a pena máxima para as pessoas que extraírem ou removerem tecidos ou órgãos humanos sem o consentimento prévio da pessoa. As mudanças serão aplicadas na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte e acontecem depois de uma série de críticas lançadas por organizações que lutam pela doação de órgãos. Chris Rudge, diretor-executivo do grupo UK Transplant, afirmou que, com a lei antiga, o desejo de doar seus órgãos poderia ser rejeitados pelos familiares em 10% dos casos. No entanto, a partir desta sexta-feira, quando a nova medida entrar em vigor, o direito legal ficará nas mãos da pessoa morta que queria doar seus órgãos. Segundo Rudge, em alguns casos em que os familiares se opõem terminantemente à doação dos órgãos de um ente querido, as autoridades poderiam se negar a autorizar esse procedimento cirúrgico. "Com a nova lei, muito mais britânicos poderão receber transplantes de órgãos que lhes salvariam a vida, já que serão obedecidos os desejos dos doadores e não de seus familiares", explicou. Sob a nova legislação, também serão permitidas doações de órgãos de estranhos, conhecidas como doações "altruístas". A Lei será regulada por um novo comitê chamado "Autoridade de Tecidos Humanos" (HTA), que ficará encarregado de autorizar licenças para doações. Esse organismo também poderá pedir exames de post-mortem aos doadores, financiar escolas de anatomia, centros de estudos de tecidos humanos ou museus que exibam órgãos humanos. Adrian McNeil, diretor-executivo da HTA, explicou que a permissão para doar "é o princípio subjacente da nova lei". "Este é um passo histórico para a doação de órgãos e para obedecer os desejos dos pacientes doadores", acrescentou. A medida foi elogiada também pela baronesa Helena Kennedy, diretora da Comissão Parlamentar de Genética Humana (HGC). Ela indicou que, com a nova lei, centenas de pessoas poderão ter mais chances de vida. (ANSA) 31/08/2006 09:07