Procedimento conhecido como “Save a Sibling” ainda não chegou ao Brasil

Está “curado para toda a vida”. Assim anunciaram os médicos do hospital de Sevilha, onde um menino espanhol que, sofrendo de uma grave anemia congênita, recebeu um transplante de cordão umbilical de seu irmãozinho, que, por sua vez, foi concebido por fertilização assistida para garantir o tratamento.
O embrião foi selecionado de modo que, primeiro, não sofresse da mesma enfermidade, e, segundo, fosse 100% compatível com o irmão que receberia a doação. O grau de compatibilidade obtido por esse procedimento é superior ao que se pode conseguir com doadores não relacionados.
O irmão mais velho, André, que acaba de completar sete anos, sofria de uma grave anemia em que só poderia sobreviver mediante transfusões de sangue periódicas, por conta dos glóbulos vermelhos defeituosos. Estes, ao romperem, liberam ferro em excesso que termina prejudicando órgãos vitais, como fígado e coração.
Em outubro do ano passado nasceu Javier, concebido por fertilização assistida. No parto, foi preservado o sangue placentário contido no cordão umbilical. Nesse tipo de transplante, “as células progenitoras dos glóbulos vermelhos, durante a etapa intra-uterina, se formam em órgãos distintos, e estão muito presentes no sangue do recém-nascido, que é o mesmo do cordão umbilical”, explicou Gustavo Kusminksy, chefe da seção de hematologia do Hospital Universitário Austral, na Argentina.
Em janeiro, André foi submetido à quimioterapia durante uma semana para destruir, na medula óssea, suas próprias células enfermas. No dia 23 daquele mês, mediante uma simples injeção endovenosa, foram transplantadas as células do cordão umbilical de Javier. Durante três semanas o paciente permaneceu internado, em um ambiente protegido de contaminação, recebendo alta em 18 de fevereiro.
Existe “a certeza razoável” de que “está curado para toda a vida”, anunciou o Hospital Virgem del Rocío, de Sevilha, onde o procedimento foi efetuado. De qualquer forma, durante um ano, André deverá utilizar uma máscara cirúrgica quando na presença de outras pessoas. E, diferentemente de outros transplantados, não deverá receber medicação pelo resto da vida, mas apenas durante o próximo ano.
– Eu queria ter outro filho, e se ele ainda pudesse ajudar seu irmão... – afirmou Soleda Puerta, mãe dos meninos.
Transplantes de sangue do cordão umbilical, com doadores não relacionados, são feitos há pelo menos 15 anos, mas não são tão comuns.
Sevilha
| O método |
| > Save a Sibling é um procedimento de fertilização assistida (ou fertilização in vitro) com o objetivo de salvar a vida de um irmão através da seleção de um embrião que terá condição de, quando concebido, fornecer o material genético compatível com a doença em questão, promovendo a cura para tal. |
| > O termo apareceu pela primeira vez em outubro de 2002, mas começou a ser utilizado na imprensa depois do nascimento do inglês Jamie Whitaker. A criança foi concebida para prover material genético compatível para seu irmão, Charlie, que sofria de uma anemia fatal e raríssima. |
| > Era esperado que as células-tronco do cordão umbilical de Jamie poderiam trazer a cura, o que aconteceu. O procedimento tornou-se um sucesso e passou a ser utilizado com mais frequência. |