Número de transplantes no Ceará cresce 20%
O número de transplantes no Ceará cresceu 20% no primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período do ano passado. Sensibilização da população e de profissionais de saúde, inclusive no Interior, tem ajudado na captação de órgãos
Lucinthya Gomes
da Redação
04 Jul 2009 - 00h27min
Francisca Edna dos Santos, 46, passava os dias sentada numa rede. “Não aguentava deitar. Eu cansava muito”. Ela tinha miocardiopatia dilatada, doença também chamada de coração crescido, e teve a indicação de transplante. No dia 17 de abril, recebeu um novo coração. Hoje, se sente outra pessoa. “É uma bênção”, vibra.
Dona Edna é apenas uma entre as 373 pessoas que foram transplantadas no primeiro semestre deste ano no Ceará. Se o número for comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram realizados 310 transplantes de órgãos e tecidos, houve um crescimento de 20%. Conforme a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), a maioria dos transplantes foi de córneas (215) e rins (101). Foram realizados ainda 40 transplantes de fígado, 11 de coração e 6 de medula óssea.
De acordo com o titular da Sesa, João Ananias, o objetivo é realizar mil transplantes até o fim do ano, contribuindo para que mais pessoas recebam órgãos e tecidos e, consequentemente, tenham mais qualidade de vida. Em todo o ano de 2008, foram realizados 739 transplantes.
Captação de órgãos
Segundo a coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Barbosa, profissionais de saúde têm sido capacitados, para aperfeiçoar a captação de órgãos. “Sobral, que há quatro anos não notificava nenhum potencial doador, começou a notificar. Isso tem contribuído para o aumento do número de transplantes”, disse. Conforme Eliana, o objetivo agora é realizar este mesmo trabalho na região do Cariri. “Lá, já acontecem algumas notificações, mas de maneira muito tímida”, disse, acrescentando que pode melhorar.
Com relação à conscientização da população, ela destaca que existe uma parceria entre Central de Transplantes e associações de transplantados, num programa de educação continuada. Por iniciativa própria, os transplantados têm realizado ações na Praça do Ferreira e nos terminais, esclarecendo a população sobre a doação de órgãos e informando sobre prevenção. “Ano passado fizemos um curso de capacitação voltado para essas pessoas. Eles se tornaram multiplicadores em difundir a doação”, comemora.
Com o crescimento da captação de órgãos, Eliana destaca que é preciso aumentar o número de equipes transplantadoras. “Está em fase de credenciamento, a nível de Ministério da Saúde, mais uma equipe de fígado para o Estado, bem como uma equipe para o transplante conjugado de rim/pâncreas, que ainda não é realizado no Ceará. Serão duas novas equipes realizando transplantes”.
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