02 agosto, 2008

Estado não muda sistema de captação de órgãos para transplante

Estado não muda sistema de captação de órgãos para transplante

Raphael Lima, Jornal do Brasil

RIO - A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio e o Ministério da Saúde não vão mudar a forma de captação de órgãos para transplantes no Estado. Segundo eles, a doação independe da vontade do Estado, já que parte da decisão de cada cidadão ou da autorização de sua família. Para realizá-la, é preciso que uma pessoa tenha morte cerebral e que o Hospital comunique a central de Transplantes do Estado.

As cirurgias de transplantes são realizadas apenas em hospitais credenciados no Sistema Único de Saúde (SUS). Para coração, por exemplo, apenas nove unidades estão credenciadas em todo Estado. O transplante de córneas não está sendo feito pois o único responsável pela captação do órgão, o Banco de Olhos do Estado, parou de funcionar.

O presidente da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos do Rio (Adote-RJ), Rafael Paim, sugere medidas imediatas para o Rio melhorar a captação de órgãos e reconquistar a confiança de doadores. Para Paim, o Estado deveria copiar exemplos de São Paulo, como criação de organizações de procura de órgãos, que vasculha hospitais em busca de pessoas com morte encefálica.

– Não podemos é deixar de copiar exemplos por questões políticas. Isso é palhaçada, uma grande bobagem. Idéias boas têm de ser copiadas – disse Paim

Segundo o Ministério da Saúde, 60% das mortes encefálicas não são notificadas pelos hospitais, prejudicando o sistema de transplantes.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO), que fica em São Paulo, é uma medida simples que combate a escassez de comissões de captação de órgãos nos hospitais que, por lei, deveria haver em todos os hospitais. No Rio, porém, dos 280 hospitais, apenas 75 possuem comissões.

As OPOs de São Paulo são divididas em regionais e necessitam apenas de um carro e de uma equipe de assistentes sociais e médicos para funcionar. A equipe realiza o que é proposto por Paim. Vai de hospital em hospital à procura de pessoas que tiveram morte encefálica.

Novo programa

Outro problema comum na captação de órgãos no Rio é a escassez de neurologistas, imprescindíveis para o diagnóstico de morte encefálica. A Adote, porém, tem um projeto que está sendo desenvolvido pela IBM: os eletroencefalogramas seriam interligados a um programa de computador em cinco hospitais, capacitados com dois neurologistas cada um responsáveis por ler e constatar a morte encefálica.

Nesta sexta-feira, a Academia Nacional de Medicina, soltou uma nota sobre os recentes episódios, que diz o seguinte: - A Academia Nacional de Medicina, em sessão secreta, atenta aos princípios éticos e à responsabilidade social da prática médica, manifesta sua extrema preocupação com as conseqüências negativas institucionais dos fatos noticiados recentemente. Reafirma o respeito inquestionável devidos à UFRJ e a seu Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e a importância de resguardar o programa de transplantes do Estado do Rio de Janeiro.

[00:35] - 02/08/2008

 

 

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