22 outubro, 2009

Governo vai criar equipes para dar agilidade à captação de doadores

Por AE

Rio de Janeiro - Para dar agilidade à captação de doadores, o governo vai criar cem equipes de Organizações de Procura de Órgãos. Formadas por médico, enfermeiro e auxiliar administrativo, elas terão uma área de cobertura predeterminada e vão estimular as equipes intra-hospitalares a identificar e buscar consentimento das famílias de prováveis doadores.

O governo vem elaborando a nova regulamentação de transplantes desde o ano passado. Concluiu-se que a captação de doadores é o principal gargalo que precisa ser desfeito para aumentar o número de transplantes no País. “Não adianta criar campanhas que sensibilizem a população a doar se a estrutura do sistema não garantir que esses órgãos possam ser retirados e colocados no receptor que aguarda ansiosamente”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. As informações são do jornal
 O Estado de S. Paulo.

 

Especialistas comemoram investimentos em transplantes no País, mas apontam falhas

Especialistas comemoram investimentos em transplantes no País, mas apontam falhas

22/10 - 16:09 , atualizada às 16:17 22/10 - Redação

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O investimento de R$ 24,1 milhões no Sistema de Transplantes do País,anunciado ontem pelo Ministério da Saúde, foi comemorado por médicos e ONGs. Os especialistas, porém, ressaltam que para haver um aumento significativo no número de transplantes são necessárias medidas mais incisivas. “Menos de 10% das mortes encefálicas são identificadas no Brasil. Houve um grande avanço (com as mudanças anunciadas), mas o que vai mudar o tempo de espera nas filas é melhor oferta de órgãos”, afirma Rafael Santos, presidente da ONG Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), no Rio de Janeiro.

Santos cita como um dos pontos mais positivos do novo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que entra em vigor em 1º de novembro, a criação de organizações de procura de órgãos.

Com isso, considera que começa ser criada no País a cultura de busca ativa por órgãos, o que, consequentemente, deve refletir no aumento dos transplantes. Contudo, ressalta que as organizações de procura de órgãos não são as responsáveis por manter o paciente com diagnóstico de morte encefálica em condições de ser um possível doador. Por isso, é preciso investir também nos médicos que realizam este tipo de trabalho. “Se o hospital privado conveniado der atenção ao doador vai cobrar do SUS (Sistema Único de Saúde) os procedimentos. No público, essa relação não existe. Os médicos ganham salário fixo”, afirma.

Além disso, Santos explica que a falta de UTIs nos hospitais faz com que, muitas vezes, doadores sejam desligados dos aparelhos para dar lugar a pacientes vivos. “A demanda é muito grande e você não pode negar vaga para quem ainda tem possibilidade de viver”, afirma, sugerindo a criação de “salas de manutenção” para acompanhamento de pacientes com morte encefálica até que sejam retirados os órgãos.

Rafael Santos aprovou a possibilidade de que pessoas com doenças transmissíveis possam doar para outros que tenham o mesmo problema. “Os transplantes são feitos por três motivos: salvar vidas, prolongar vidas e melhorar a qualidade de vidas. Se a pessoa vai continuar com a doença, mas aquele transplante dará uma sobrevida a ela, ótimo”, afirma.

Verba

O presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Valder Duro Garcia, avaliou como “significativo” o investimento de R$ 24,1 milhões e afirmou que o aumento no preço pago pelos procedimentos relacionados à doação deve incentivar os profissionais a realizá-los.

De acordo com o Ministério da Saúde, o reajuste será de 40%. Assim, uma equipe que recebia R$ 585 pela retirada de um coração, por exemplo, passará a ganhar R$ 1.170. “Alguns procedimentos estavam com valor muito defasado. Às vezes, para a retirada de um órgão, a equipe tem que se deslocar por 300, 400 km, ir de avião, e tem que ter um rendimento melhor por isso”, diz.

Prioridade às crianças

Outro ponto bastante repercutido do novo Sistema de Transplantes e elogiado pelos três especialistas consultados pela reportagem do Último Segundo é a prioridade que será dada a pessoas com menos de 18 anos para receber órgãos de doadores da mesma faixa etária. Isso já acontece nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, mas, agora, espera-se que seja implantado em todo o País. “É uma conquista, um sonho essa portaria, um pedido que fizemos há muito tempo”, comemora Clotilde Garcia, coordenadora de transplantes renais pediátricos da Santa Casa de Porto Alegre.

De acordo com ela, a distribuição de órgãos sempre aconteceu de acordo com o tamanho da criança, só com o rim que funcionava um pouco diferente. “Às vezes, uma criança de 2 anos tinha a oferta de um rim de um paciente de 80 anos. Neste momento, ficou lógico que vale a mesma distribuição”, diz.

Santos, da Adote, explica também que se duas pessoas de idades diferentes forem compatíveis com o mesmo rim, as crianças terão prioridade.

Os dois ressaltam também o fato de que, com a portaria, as crianças poderem entrar na fila de espera por um rim antes de começar a diálise, o que não era possível. “Se ela estiver com uma função renal abaixo de 15%, prestes a entrar na diálise, já pode se inscrever”, afirma Clotilde.

“Todos entendemos que se para um adulto a diálise é penosa, para as crianças é muito mais”, completa Santos. Para ele, para que o SNT seja eficaz não é preciso só de verba , mas de fiscalização, transparência e divulgação, para que a sociedade tenha meios de cobrar o que foi prometido.

Veja as mudanças que entram em vigor em novembro:

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Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/10/22/especialistas+comemoram+investimentos+em+transplantes+no+pais+mas+apontam+falhas+8913936.html

MS anuncia investimentos de R$ 24,1 milhões em transplantes

21/10/2009 , às 15h45

MS anuncia investimentos de R$ 24,1 milhões em transplantes

 

Ministério dobra valores de procedimentos de captação de órgãos e acrescenta ações para incentivar realização de transplantes. Ministro divulga novo regulamento técnico

Clique aqui para acessar o hotsite da CampanhaO ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou nesta quarta-feira (21) uma série de portarias para aprimorar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Entre as medidas anunciadas no evento realizado do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (NERJ), as principais são a mudança de valores pagos por procedimentos e a incorporação de novas ações envolvendo transplantes. Os investimentos serão de R$ 24,1 milhões neste ano e no próximo.

“As medidas anunciadas hoje tem duas facetas, ampliar e sensibilizar a população a se declarar doadora e ao mesmo tempo inovar em mecanismos que ampliem a captação de órgãos e, portanto, a realização de transplantes”, declarou o ministro. “Esse conjunto de medidas com certeza vai impactar essas pessoas que aguardam ansiosamente por um órgão em uma fila de espera”, acrescentou.
O valor pago pelo MS pelos procedimentos de captação de órgãos, por exemplo, vai dobrar (veja quadro abaixo), gerando um impacto de R$ 6,4 milhões nos dois anos. Entre as ações que vão pagar o dobro à equipe envolvida, estão a entrevista com a família do doador e a manutenção hemodinâmica desses prováveis doadores. Além disso, novos procedimentos, como consulta de acompanhamento pré-transplante, avaliação dos possíveis doadores, cirurgias para obtenção de tecidos humanos e processamento de pele, serão incorporados ao orçamento – o que terá um custo de R$ 14,3 milhões em 2009 e 2010 (veja quadro).

O Ministério também quer aumentar o número de transplantes de pele e ossos. Para isso, anuncia desdobramentos de procedimentos relacionados à doação de tecidos com o objetivo de permitir a integração de mais equipes. Isso ocorrerá mesmo em estados que ainda não tenham bancos de tecidos. “A retirada e o processamento de pele são procedimentos completamente novos no SUS”, afirmou Alberto Beltrame, secretário nacional de Atenção à Saúde.

O transplante de pele é indicado para tratar grandes queimaduras. Além de amenizar o sofrimento dos pacientes, é uma terapia salvadora de vidas que ganha maior importância pelo fato de as queimaduras extensas serem muito prevalentes em crianças. O Ministério autoriza ainda a criação de bancos multitecidos, conferindo melhor aproveitamento à capacidade já instalada para processamento de tecidos humanos e otimizando os novos investimentos nesta área.

Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde mostram que o número de transplantes de órgãos realizados em todo o país, com doador falecido, subiu 24,3% no primeiro semestre de 2009 em comparação com o mesmo período de 2008. “Esse é o momento de comemorar os resultados alcançados, mas também de aprimorar o sistema”, ponderou Beltrame.

Tabela 1: Novos valores para procedimentos de transplantes (Em R$)

Procedimento

Valor atual

Novo valor

Manutenção e taxa de sala

450,00

900,00

Retirada de coração

585,00

1.170,00

Ret coração p valvas

130,00

260,00

Retirada de fígado

1.170,00

2.340,00

Retirada globo ocular uni/bilateral

161,19

322,38

Retirada pâncreas

1.170,00

2.340,00

Retirada pulmões

1.170,00

2.340,00

Retirada rins cadáver

585,00

1.170,00

Coordenação sala

200,00

400,00

Diária de UTI *

363,31

508,63

Entrevista familiar doador ME

210,00

420,00

* Reajuste de 40%

Tabela 2: Novos procedimentos

Procedimento

Valor (Em R$)

Entrevista familiar doador coração parado

420,00

Avaliação do doador de órgãos e tecidos para transplantes

215,00

Acompanhamento de pacientes no pré transplante

135,00

Retirada de tecido ósteo-condro-fascio-ligamentoso

1.170,00

Retirada de pele

1.170,00

Processamento de pele (até 1000 cm²)

259,13

Processamento de pele (até 500 cm²)

259,13


NOVAS REGRAS – O Ministério investe também na transparência das regras para transplantes no país. Durante o evento, o ministro José Gomes Temporão assinou a consolidação do Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes. O texto base foi publicado no ano passado e levado à consulta pública. Com sugestões de sociedades científicas, organizações não governamentais, gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e órgãos ligados ao MS, o regulamento ficou mais completo, claro e eficiente.  

 Em sua redação final, o regulamento traz informações importantes sobre as inscrições e os procedimentos relacionados aos transplantes. Uma das mudanças é o refinamento dos critérios de distribuição de órgãos com normas claras para garantir a segurança biológica. “Criamos mecanismos legais para consolidar o que antes estava na esfera das boas práticas, ou seja, impedir a transmissão de doenças por transplantes. Órgãos de um doador que tenha hepatite C, por exemplo, passam a poder ser transplantados em um paciente que também seja portador do mesmo vírus, e sob seu consentimento formal”, explicou Rosana Nothen, coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). As equipes transplantadoras também precisam dar o consentimento. As definições complementam os preceitos da Lei Brasileira de Transplantes.

As novas regras atingem também as doações intervivos de doadores não aparentados. Atualmente, esse tipo de procedimento precisa ser autorizado pela Justiça. De acordo com o novo regulamento, o transplante precisará passar pelo crivo de uma comissão de ética formada por funcionários do hospital onde será realizado o procedimento. Só com a aprovação dessa comissão é que o caso segue para análise judicial. “Isso é importante porque são os profissionais dos hospitais que sabem em que condições aquela doação acontecerá”, argumentou Rosana Nothen.  

O que mudou com o Regulamento Técnico do SNT

  • Doadores que tenham alguma doença transmissível passam a poder doar para pacientes que tenham a mesma enfermidade
  • A ficha do paciente deve estar sempre atualizada
  • Pessoas abaixo de 18 anos passaram a ter prioridade para receber órgãos de doadores da mesma faixa etária
  • Todas as crianças e adolescentes passaram a ter direito a se inscrever na lista para um transplante de rim antes de entrar na fase terminal da doença renal crônica e de ter indicação para diálise
  • Criação de organizações de procura de órgãos
  • A doação intervivos de doador não aparentado passa a precisar de autorização de uma comissão de ética formada por funcionários dos hospitais. 


ORGANIZAÇÃO -
A atualização de dados dos pacientes na lista de transplantes era uma recomendação na normatização anterior. O atual regulamento trouxe ajustes para fazer com que isso seja feito de forma mais sistemática e automaticamente pela equipe transplantadora. “Criamos mecanismos de controle mais estreitos. O paciente para continuar na lista esperando um transplante deve manter sua ficha atualizada, mostrando que está em condições de receber o órgão ou o tecido”, detalhou a coordenadora do SNT. 
No evento desta quarta, o ministro anunciou um novo sistema informatizado que irá promover um avanço do processo de informação, permitindo maior transparência à lista de espera. Nesse banco de dados, os pacientes poderão consultar sua posição na lista de espera e a equipe deverá manter os prontuários atualizados. “Isso fará com que a atualização seja mais ágil”, comentou Rosana Nothen.
Critérios que antes eram apenas conceitos viraram regras após a consulta pública. Um exemplo é o benefício que pessoas abaixo de 18 anos passaram a ter ao receber prioritariamente órgãos de doadores da mesma faixa etária. Todas as crianças e adolescentes passaram a ter direito a se inscrever na lista para um transplante de rim antes de entrar na fase terminal da doença renal crônica e de ter indicação para diálise.

AGILIDADE – No lançamento do novo regulamento, o ministro anunciou também o plano nacional de implantação de organizações de procura de órgãos. São equipes que atuarão em diversos hospitais buscando facilitar a doação de órgãos. “A ideia é agilizar e criar órgãos de assessoria técnica, distribuídos por todo o Brasil, para auxiliar os coordenadores hospitalares e os médicos intensivistas na identificação e manejo adequado nos casos de morte encefálica”, afirmou Rosana Nothen. “Essas organizações vão melhorar a estruturação da captação de órgãos”, acrescentou Beltrame. 

Durante o evento, o ministro recebeu de Gerson Martins, representante do Conselho Federal de Medicina, os originais de um manual de utilização do protocolo de diagnóstico da morte encefálica. Esse texto atende a uma reivindicação da classe médica e será reproduzido pelo Ministério da Saúde e distribuído a todos os médicos do país.   

PRÊMIO – O SNT divulgou também os vencedores do prêmio Destaque na Promoção da Doação de Órgãos – que condecora entidades e pessoas que contribuíram para a melhoria da doação de órgãos no país. Na categoria pessoa jurídica, a Rede Globo é a vencedora. Na pessoa física, o médico Agenor Stallini Ferraz. 

As indicações para o prêmio foram feitas pelas centrais estaduais de transplantes. Com as realizações de cada indicado em mãos, um grupo formado por integrantes do Ministério da Saúde escolheu os vencedores. Os dois selecionados receberão o troféu na quarta-feira.

PARCERIA – No mesmo evento, o ministro José Gomes Temporão lançou o selo Organização Parceira dos Transplantes. “É uma forma de reconhecer esforços de entidades e organizações para o aperfeiçoamento do sistema”, diz Beltrame. As primeiras organizações que receberam o prêmio foram as empresas aéreas Webjet, TAM, NHT e Gol - Varig. A condecoração será dada por conta da atuação dessas companhias no transporte gratuito de órgãos a serem transplantados.

O Ministério aproveitou o lançamento do selo para renovar com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) o termo de cooperação para aumentar o transporte de órgãos no país, envolvendo novas companhias aéreas em atividade, adequando-se assim ao atual cenário da malha aérea brasileira. Todas as ações têm como objetivo a ampliação da captação de órgãos e tecidos no Brasil e o conseqüente aumento do número de transplantes realizados.

Outras informações
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jornalismo@saude.gov.br 

 

 

MS lança Marco Regulatório e anuncia investimentos para a área de transplantes

 

21.10.2009

http://www.saude.rj.gov.br/images/Imprensa/_DSC5918%20cópiaD.jpg
O ministro da Saúde anuncia o novo Marco. Na mesa, o secretário de Atenção à
Saúde do MS, Alberto Beltrame, o secretário Sérgio Côrtes, a coordenadora geral
do SNT, Rosana Nothen e o secretário do Conselho Federal de Medicina, Gerson Zafalon

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, apresentou hoje no Rio de Janeiro o novo Marco Regulatório do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Dentre as mudanças previstas na legislação estão o aumento dos valores pagos pelos procedimentos e a adoção de um sistema online que permitirá que receptores que aguardam por um órgão acompanhem em tempo real a sua posição na fila, órgão acompanhem em tempo real a sua posição na fila, como já ocorre no Estado do Rio de Janeiro desde o 2° semestre do ano passado. O investimento para a implantação das medidas será de R$24,1 milhões para 2009 e 2010.

- O Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. Hoje, 90% dos procedimentos realizados no país se viabilizam graças ao Sistema Único de Saúde. A revisão do Regulamento Técnico, que desde 1998 não recebia mudanças, é essencial para o fortalecimento do SNT, pois é fruto da escuta e do diálogo com as entidades de gestores, trabalhadores e usuários -, afirma o ministro.

De acordo com o secretário de Estado de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, presente no lançamento, outro destaque é a criação das Organizações de Procura de Órgãos (OPO´s), que têm o compromisso de facilitar a doação dentro dos hospitais. Elas atuarão como gerentes regionais das Comissões Intra-Hospitalares de Transplantes (CIHDOTTs) e serão responsáveis, por exemplo, pela manutenção do doador, entrevista familiar e agendamento do centro cirúrgico.

- A criação das OPO´s representa um ganho para o Estado, na medida em que dentre outras coisas, elas serão responsáveis pela manutenção do doador, entrevista familiar e agendamento do centro cirúrgico. Hoje, essas atribuições estão sob responsabilidade da nossa Central de Transplantes, que, em tese, seria responsável apenas pela fiscalização e distribuição dos órgãos. – explica o secretário.

O objetivo do Ministério é implantar, até o final do ano que vem, pelo menos uma OPO em cada estado e capital do país.  Segundo o secretário de Atenção à Saúde do MS, Alberto Beltrame, o ideal é que haja uma para cada grupo de dois milhões de habitantes.

Outras mudanças - A atualização de dados dos pacientes na lista de transplantes já era recomendação do regulamento anterior. A diferença entre os dois é que, a partir de agora, esse procedimento se torna obrigatório e será realizado automaticamente pela equipe transplantadora, que passa a ter acesso ao sistema de informação em tempo real.

- A ficha do receptor deve estar atualizada para que ele fique ativo na lista de espera por um doador, mostrando que está em condições de receber o órgão ou o tecido. Isso significa mais transparência para todos os envolvidos, pois da mesma forma, o sistema permite que o receptor saiba qual a sua posição na fila -, detalha a coordenadora do SNT, Rosana Nothen. 

Uma das principais novidades é que crianças e adolescentes passarão a ter prioridade para receber órgãos de doadores da mesma faixa etária. Além disso, todos aqueles com menos de 18 anos terão direito a se inscrever na lista para um transplante de rim antes de entrar na fase terminal da doença renal crônica e de ter indicação para diálise. Segundo o ministro Temporão, a medida é baseada na concepção de que a maior expectativa de vida é a desse grupo.

Outro grupo beneficiado é o das pessoas portadoras de doenças como hepatites, por exemplo, que poderão doar seus órgãos, desde que o receptor também seja portador da doença e dê o seu consentimento. As equipes transplantadoras também precisam dar seu aval.

As novas regras atingem também as doações intervivos de doadores não aparentados. Dessa forma, o procedimento, que hoje passa apenas pelo crivo da Justiça, precisará da autorização de uma comissão de ética formada por funcionários do hospital onde será realizado o transplante, já que são os profissionais que sabem em que condições a doação acontecerá. Só depois dessa aprovação é que o caso seguirá para análise judicial. 

Mais recursos – De acordo com o ministro, as novas medidas precisam de solidez econômica para saírem do papel. Para isso, o MS modificou os valores pagos por procedimento de captação de órgãos. Entre as ações que vão pagar o dobro à equipe envolvida, estão a entrevista com a família do doador de coração parado e a manutenção hemodinâmica dos prováveis doadores. Além disso, novos procedimentos, como consulta de acompanhamento pré-transplante, avaliação dos possíveis doadores, cirurgias para obtenção de tecidos humanos e processamento de pele, serão incorporados ao orçamento – o que terá um custo de R$ 14,3 milhões em 2009 e 2010.

No evento, o Ministério lançou o selo “Organização Parceira dos Transplantes”, criado para reconhecer os esforços de entidades e organizações que tenham contribuído para o aperfeiçoamento do Sistema. O MS também recebeu um manual feito para ajudar os médicos no diagnóstico da morte encefálica elaborado pelo Conselho Federal de Medicina. O texto será distribuído pelo Ministério a todos os médicos do país.

[topo]

http://www.saude.rj.gov.br/Imprensa/Noticias.

 

NOVAS REGRAS: MEDIDA AUMENTA CONTROLE EM TRANSPLANTE INTERVIVOS


Uma das mudanças anunciadas pelo Ministério da Saúde é nos transplantes feitos com doação de pessoa viva. Hoje, quando receptor e doador não são parentes, é necessária uma autorização da Justiça. Agora, será exigida a aprovação de uma comissão de ética do hospital onde será realizado o procedimento. A partir daí, o caso seguirá para análise judicial. "Isso é ótimo para inibir a possibilidade do comércio de órgãos", acredita Francisco de Assis, presidente da Adote.

Fonte: Folha

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2210200901.htm

 

Menores de 18 anos terão prioridade em transplante

Novo regulamento do Ministério da Saúde busca diminuir a fila de pacientes

Portadores de doenças como hepatite B ou C e infecções leves poderão doar órgão para pessoas que possuam o mesmo vírus
 

LIANA LEITE
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 
FLÁVIA MANTOVANI
 
EDITORA-ASSISTENTE DO EQUILÍBRIO

O Ministério da Saúde lançou ontem, no Rio de Janeiro, o novo regulamento do STN (Sistema Nacional de Transplante). As regras passam a vigorar a partir de 1º de novembro.
Uma das medidas é priorizar a cirurgia em crianças e adolescentes com até 18 anos. "Eles passarão a receber órgãos de doadores da mesma faixa etária antes dos demais pacientes", afirmou o secretário Nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, acrescentando que a maior expectativa de vida justifica a prioridade. Hoje, crianças de até 12 anos já têm prioridade em iniciativas isoladas, como para transplante de fígado.
Uenis Tannuri, chefe do serviço de transplante hepático do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP, acredita que a medida é necessária, mas tem pouco impacto na fila de espera. "As crianças são uma porcentagem muito pequena dos pacientes à espera de um transplante. No caso de fígado, por exemplo, não chegam a um quarto. Vai ter pouca repercussão no número global."
O ministério também anunciou que, a partir de agora, menores de 18 anos poderão inscrever-se na fila de transplante de rim antes de ter um quadro de insuficiência renal e começar a fazer hemodiálise.
"A diálise é um sacrifício para qualquer um, imagina para a criança. É bom que elas tenham acesso ao transplante antes de chegar a esse ponto", diz Francisco de Assis, presidente da Adote (Aliança Brasileira para a Doação de Órgãos e Tecidos).
Outra medida que, segundo o ministério, favorecerá o aumento no número de cirurgias é a possibilidade de doação de órgãos de pessoas com doenças transmissíveis como hepatites, doença de Chagas, pneumonias e infecções leves para quem tenha o mesmo problema. "Será preciso consentimento formal do receptor, já que existe risco de contágio", disse a coordenadora do SNT, Rosana Northen.
Segundo Ben-Hur Ferraz Neto, vice-presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), antes essa regra era confundida com a da doação de sangue. "É totalmente diferente. A experiência mundial já mostrou que pacientes como os que têm hepatite C podem se beneficiar de transplante de órgão de quem tem a mesma doença", diz.
A ampliação de transplantes de ossos e pele também foi anunciada. "Pela primeira vez o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizará recursos especificamente para esses tecidos", disse Beltrame.
O Ministério da Saúde informou ainda que, de outubro deste ano a dezembro de 2010, serão investidos R$ 24 milhões nos procedimentos que vão desde a captação de órgãos e tecidos até a cirurgia final.
Também será criado um site no qual pacientes poderão consultar sua posição na fila de espera com uma senha. O novo sistema estará disponível até o fim de dezembro deste ano, afirmou a instituição. Trata-se de um sistema que já existe no Estado de São Paulo.
No Brasil, o número de órgãos e tecidos transplantados teve um aumento de 24% no primeiro semestre de 2009 em comparação com 2008. Apesar disso, mais de 60 mil pacientes ainda aguardam na fila. Com o novo regulamento, o ministério espera um crescimento anual de 30% nas cirurgias.
Para Rafael Paim, presidente da regional Rio da Adote, as medidas são "um avanço, mas não uma revolução". Segundo ele, a forma de distribuição da verba nos hospitais públicos faz com que não haja garantia de que ela chegue a quem trabalha na captação. "O repasse é orçamentário, não por procedimento. Isso pode não chegar ao salário do profissional."

 

21 outubro, 2009

Novo Regulamento Técnico do SNT

MS anuncia investimentos de R$ 24,1 milhões em transplantes

Ministério dobra valores de procedimentos de captação de órgãos e acrescenta ações para incentivar realização de transplantes. Ministro divulga novo regulamento técnico.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinou nesta quarta-feira (21) uma série de portarias para aprimorar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Entre as medidas anunciadas no evento realizado do Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (NERJ), as principais são a mudança de valores pagos por procedimentos e a incorporação de novas ações envolvendo transplantes. Os investimentos serão de R$ 24,1 milhões neste ano e no próximo.

Veja um resumo do novo Regulamento: Doação e Transplantes de Órgãos e Tecidos_SNT ADOTE 21-10-2009.pdf

Falta de médicos capacitados impede aumento da doação de órgãos no País

 

12/09 - 11:11 - Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo

SÃO PAULO – De cada seis potenciais doadores de órgãos no Estado de São Paulo apenas um é identificado, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Ao contrário do que se possa imaginar, o aumento da doação de órgãos não acontece por resistência das famílias, mas pela falta de preparo dos médicos em identificar os possíveis doadores.

 

Divulgação

http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/5/5/5/6466412.us_reginaldo_boni_orgaos_brasil_177_265.jpg

Boni defende investimentos em hospitais

“Hoje, aproximadamente 70% das famílias autorizam o transplante. Mesmo em um momento de luto, as pessoas são extremamente solidárias”, afirma Sonia A. Coria, da Central Estadual de Transplantes.

Segundo informações da Secretaria de Saúde, o Estado de São Paulo registrou um crescimento de 61% na doação de órgãos de janeiro a agosto de 2009 frente ao mesmo período de 2008. Foram 430 pessoas que tiveram pelo menos um dos órgãos aproveitados, contra 266 do ano anterior.

O número ainda pode aumentar substancialmente nos próximos anos. Mas, para isso, segundo especialistas ouvidos pelo Último Segundo, é preciso investir na formação dos profissionais da área de saúde.

Para os profissionais, mais do que investir em grandes campanhas midiáticas de conscientização o governo deve priorizar a formação dos médicos

A falta de critérios é o principal empecilho para o crescimento. “Temos muitas notificações [avisos de órgãos para doação], mas que são contraindicadas assim que chegam porque os médicos simplesmente acham que não servem”, critica Reginaldo Carlos Boni, coordenador da Central de Transplantes do Estado e diretor de captação de órgãos da Santa Casa de São Paulo. “Alguns médicos chegam a dizer às famílias para não doar porque é complicado”, acrescenta.

Segundo Boni, ainda há resistência no diagnóstico da morte encefálica – que permite a doação do maior número de órgãos – porque, culturalmente, ela não é bem aceita na sociedade. Pelo fato do coração bater, acredita-se que o paciente esteja vivo. “O cérebro morreu, mas o paciente continua quente, corado. É difícil para a família entender”, acrescenta Leonardo Borges, Coordenador da Organização de Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas.

A Finlândia foi o 1º país a reconhecer a morte encefálica como outra morte qualquer, em 1977. No Brasil, porém, apenas com a resolução 1480, de 1997, a morte encefálica foi equiparada à morte clínica.

Segundo Borges, o assunto precisa ser tratado com mais rigor também nas universidades. “Os alunos têm aula de morte encefálica, mas não entendem o processo como um todo”, diz. “É essencial que eles saibam como funciona do início ao fim - desde o diagnóstico, até a entrevista familiar e o transplante”, afirma.

 

 

“Tivemos que correr atrás”

Arquivo

http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/68/68/68/6453449.us_matheus_orgaos_brasil_187_249.jpg

Luciene doou órgãos do filho Matheus

A falta de profissionais preparados para atender essa situação não é um problema só do Estado de São Paulo. A secretária Luciene Aparecida Lajes, de 28 anos, de Belo Horizonte (MG), conta que teve dificuldades para doar os órgãos do filho Matheus Henrique, de 8 anos, que morreu após um acidente de carro em março de 2007.

“Depois que aceitei a doação, ninguém nos deu atenção. A gente que tinha de ligar para saber como estava o processo”, afirma ela, explicando que seu filho morreu em uma terça-feira e os órgãos só foram retirados na madrugada de quinta-feira.

Mesmo assim, ela diz que não se arrependeu do ato e aconselha outras famílias a tomar a mesma decisão. “É muito difícil fazer isso em um momento de perda, mas deixar que seis pessoas renasçam é uma forma de acalento”, diz. “Hoje, sei que tenho seis filhos espalhados por esse mundo”.

"É uma covardia culpar a população pela falta de gestão pública”

Crescimento das doações

O Estado de São Paulo realiza cerca de 50% dos transplantes de todo o País, conforme a Secretaria de Saúde.

A média de doações no Estado é de 16,8 doadores por milhão de habitantes. Se considerados apenas os municípios da Grande São Paulo, este número sobe para 28 doadores por milhão. A região está bem à frente da média nacional, que no primeiro semestre de 2009 foi de 8,6 doadores por milhão de população, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). São Paulo ultrapassou inclusive Santa Catarina, tido como Estado modelo na doação de órgãos, que atingiu 16,8 doadores por milhão de população. 

Reginaldo Boni afirma que na Santa Casa de São Paulo a meta é chegar a 40 doadores por milhão. O segredo para isso: capacitar os profissionais. “Não podemos ficar na dependência da vontade do médico em identificar o potencial doador. O indivíduo tem que ser pago para essa função”, defende.

É exatamente a recente criação do cargo de coordenadores intra-hospitalares de doação - onde um profissional é destacado para auxiliar na identificação e notificação do potencial doador – que a Secretaria de Saúde atribui como fator principal para o aumento das doações.

Criado em maio, o projeto “Doar São Paulo” garante remuneração extra de R$ 4 mil a estes profissionais, que passam por cursos de 3 dias de especialização.

Eles são indicados pela diretoria dos hospitais, que, por sua vez, são escolhidos com bases em dados demográficos. Atualmente, há 31 hospitais que contam com este tipo de serviço.

Campanhas X treinamento

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Dr. Antón fala sobre sucesso espanhol

Para os profissionais, mais do que investir em grandes campanhas midiáticas de conscientização o governo deve priorizar a formação dos médicos. “Dizer na TV seja doador não funciona”, critica Borges. É preciso, segundo ele, primeiro explicar à população o que é morte encefálica, para que não conheçam o termo somente na hora de um sofrimento extremo.

O coordenador hospitalar também pode desempenhar um papel educacional. “A população não pode andar na frente dos médicos, senão chega uma família em um hospital sem assistência e vive a verdadeira condenação do processo: ‘eu queria doar, mas não consegui’”, critica Joel de Andrade, coordenador da Central de Transplantes de Santa Catarina, acrescentando que é uma “covardia culpar a população pela falta de gestão pública”.

Boni, da Central de Transplantes de São Paulo, partilha da mesma opinião dos demais médicos: quando o recurso é escasso, deve ser priorizado. “O dinheiro público tem que ser bem aplicado e hoje, fundamentalmente, precisamos dele nos hospitais”.

Quanto o assunto é doação, a solidariedade não é o essencial, é complemento

Modelo a ser seguido

Criada em 1989, a Organização Nacional de Transplantes (ONT) da Espanha permitiu que o País saltasse de 14 para 35 doadores por milhão. Hoje, é o primeiro do mundo em doação de órgãos, com cerca de 70 mil transplantes todos os anos.

Além da criação de uma rede voltada para o transplante, o médico Antón Fernández Garcia, do Complexo Hospitalar Juan Canalejo, em La Coruña, explica que o sucesso se deve também à possibilidade dos hospitais de receber um reembolso do governo com o que gastam com captação e transplantes de órgãos.

Quanto o assunto é doação, a solidariedade não é o essencial, é complemento. Segundo Garcia, uma pesquisa de rua mostrou que apenas 57% dos espanhóis consultados são a favor da doação de órgãos, o que coloca o País dentro da média europeia. “O motivo do sucesso é uma boa gestão”, afirma.

 

 

Fonte:

 http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/09/12/falta+de+medicos+capacitados+impede+aumento+da+doacao+de+orgaos+no+pais+8379941.html