31 outubro, 2008

Doação de órgãos no país está na contramão de vizinhos

13/10/07 - 12h09 - Atualizado em 13/10/07 - 12h52

Sistema Nacional de Transplantes vai treinar equipes para fazer a busca ativa por órgãos.
Falta desse trabalho faz com que 50% dos órgãos sejam perdidos.

Da Agência Estado

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Enquanto quase todos os países da América Latina registram aumento do porcentual da população doadora de órgãos e tecidos, o Brasil sofre quedas progressivas já há três anos.  No dia 27 de setembro, o ministro da Saúde José Gomes Temporão lançou uma campanha para incentivar as doações de órgãos no país.

 

Segundo dados levantados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o País teve no primeiro semestre de 2007 uma média de doadores de 5,4 por milhão da população, menos do que o apontado no período em 2004 (7,6), 2005 (6,4) e 2006 (5,8).

 

No mesmo período, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Uruguai saltou de 19,2 para 25,2 doadores por milhão, por exemplo, enquanto a Argentina, embora ainda com números mais modestos, atingiu índice de 11,9.

Para reverter o quadro, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), órgão ligado ao Ministério da Saúde responsável pela política de doação e transplante no País, anunciou no último mês que vai apostar na criação de equipes especiais treinadas para fazer a busca ativa por órgãos. Na prática, isso significa instalar nos hospitais um grupo especializado para identificar potenciais doadores, fazer o diagnóstico de morte cerebral, conseguir autorização dos familiares para a doação, retirar os órgãos e conservá-los para a realização dos transplantes. O modelo fez da Espanha o país com os melhores índices mundiais na captação de transplantes de órgãos e é apontado como o responsável pelo avanço nos números dos países latino-americanos.

"A única coisa que faltava no Brasil era essa busca ativa com equipes mais bem qualificadas. Esse é o trabalho que estamos realizando", afirma o coordenador do SNT, Abrahão Salomão Filho, que faz questão de ressaltar que, apesar da redução, o País é um dos três maiores do mundo em números absolutos de transplantes realizados. Embora em vários Estados e hospitais já fossem realizadas essas buscas ativas, o trabalho nem sempre era feito com qualidade. "Na Bahia, por exemplo, era uma catástrofe. Em Santa Catarina temos índices ótimos, pois se investiu nisso. Não há razão para não dar certo", completa Salomão Filho.

  Dificuldades médicas

Para o presidente da ONG Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), Francisco Neto de Assis, a maior dificuldade para a reversão do quadro de queda nas doações está justamente na conscientização e capacitação da classe médica. "Muito hospital tem grupo de busca de órgão, mas é só formalidade, não funciona na prática. Os médicos não são pagos para fazer isso e por vezes nem sabem como fazer essa abordagem da família para conseguir autorização", afirma Assis.

A falta desse trabalho faz com que 50% dos órgãos que poderiam ser aproveitados para doação sejam perdidos. Na metade que pode ser aproveitada, cerca de 30% do total de órgãos é perdido porque as famílias não autorizam a doação. "Ao menos não vem aumentando a rejeição das famílias", aponta a presidente da ABTO, Maria Cristina Ribeiro de Castro.

  Capacitação

Também num esforço de preparar melhor os médicos sobre a doação e o transplante de órgãos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou no final de setembro um congresso nacional sobre o tema. De acordo com o 2º vice-presidente do CFM e diretor técnico de transplantes do conselho, Rafael Nogueira, foi detectado que é necessário melhorar o trabalho médico em todas as etapas do processo da doação ao transplante. "As novas medidas do governo devem promover um grande avanço, mas temos ainda de aprimorar os diagnósticos da morte cerebral, que é um dos primeiros passos. Depois, há hospitais em que as equipes internas não funcionam, então é preciso investimento", aponta Nogueira.

Para Maria Cristina, a idéia do governo de instituir as equipes de busca ativa é um passo na direção correta, mas ela faz uma ressalva: o ideal seria que as equipes fossem montadas e administradas internamente pelos próprios hospitais grandes, como no modelo espanhol, e não com brigadas do governo. "As equipes internas já sabem o funcionamento do hospital, estão mais capacitadas a auxiliar pelo conhecimento da estrutura", conta. Abrahão Filho, do SNT, concorda. "É uma desvantagem, mas ao mesmo tempo a iniciativa do governo era necessária para fazer funcionar essas comissões", analisa.

Outro problema encontrado na hora de formar as comissões internas para fazer a busca ativa de órgãos é a formação de médicos e enfermeiros. De acordo com o responsável pela Central de Transplantes de São Paulo, Luiz Augusto Pereira, não consta no currículo das faculdades o ensino das técnicas para a realização do trabalho para a captação de órgãos. "Em São Paulo nós desenvolvemos um curso de imersão, intensivo, em 3 dias, onde ensinamos com profundidade todas as etapas do processo de captação de órgãos. Não basta ter a equipe, é preciso qualificá-la".

 

Só 10% dos órgãos que podem ser transplantados são aproveitados

27/09/08 - 09h00 - Atualizado em 27/09/08 - 09h00

50% dos pacientes com morte encefálica são notificados.
Ministério da Saúde divulga plano de ações para reverter quadro.

Do G1, em São Paulo

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Cerca de 10% dos órgãos que poderiam ser transplantados no Brasil são aproveitados, segundo reportagem da Agência Brasil. A informação foi dada pelo diretor de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, durante o lançamento de um conjunto de medidas que têm o objetivo de aumentar as doações de órgãos e melhorar a organização das filas para transplantes.

 

Beltrame disse que os dois principais fatores que dificultam a captação de órgãos no país são a negativa das famílias em autorizar a retirada dos órgãos do doador e a falta de notificações de mortes encefálicas. Apenas 50% dos pacientes com morte encefálica são notificados nos hospitais brasileiros e somente 20% dos familiares concordam com o transplante.

 

Uma das medidas que devem colocadas em prática pelo Ministério da Saúde para reverter o baixo aproveitamento de órgãos é o custeio pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para que os cerca de mil hospitais particulares que não têm convênio com o sistema passem a fazer a retirada de órgãos para doação. Até agora, quando ocorria uma morte encefálica em um desses estabelecimentos, o paciente tinha que ser removido para um hospital credenciado.

 

No primeiro semestre de 2008, as doações de órgãos cresceram 6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o número de transplantes passou de 7 mil para 8,3 mil. Segundo o Ministério da Saúde, o aumento maior no número de transplantes do que nas doações aponta um avanço no aproveitamento dos órgãos.

 

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G1O Portal de Notícias da Globo

07/03/08 - 01h31 - Atualizado em 07/03/08 - 01h31

DF cria lei de incentivo a doação de órgãos

Ministério Público decidiu contestar a lei.
Objetivo é incentivar a doação, já que o número de não doadores é maior.

Do G1, em São Paulo, com informações do Jornal da Globo

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Para estimular a doação de órgãos, a câmara distrital aprovou nesta quinta-feira (6) uma lei que cria o auxílio funeral à família do doador. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, considerou a lei inconstitucional, mas os deputados conseguiram derrubar o veto. Agora o Ministério Público decidiu contestar a lei.

Veja o site do Jornal da Globo.

“Não pode haver qualquer remuneração pelo órgão, pelo sangue, por nada que provenha do corpo humano, o que pode haver é a solidariedade, altruísmo, misericórdia, grandeza, esse é o debate”, protesta o promotor Diaulas Ribeiro.

A nova lei pode ajudar a aumentar a quantia de doações, já que o número de não doadores é maior, como informam os médicos do Centro de Transplantes do Distrito Federal. “Eu não acho que cria um mercado. Mas, eu acho que o gesto é tão nobre que ele tem aparecer por si só. Você não pode dar preço a um órgão doado. Isso não tem preço”, opina Daniela Salomão, coordenadora do centro de transplantes.

A presidente da Ordem dos Advogados do Distrito Federal, Estefânia Viveiros, é defensora do auxílio funeral: “Eu acho que não há que se falar em nenhum tipo de inconstitucionalidade, até porque o projeto não busca essa comercialização dos órgãos. Ao contrário, incentiva que a população seja consciente da necessidade da doação desses órgãos”.

O Ministério da Saúde não quis fazer comentários sobre a lei aprovada.

 

  Auxílio Funeral

O valor do auxílio ainda vai ser regulamentado. Na tabela das funerárias de Brasília, o funeral com transporte e flores incluídas custa 850 reais.

A dona de casa Jorgiana e o marido Carlos Humberto, que é bóia-fria, vieram do interior de Minas Gerais a Brasília para tratar o filho Gustavo, de 4 anos, que tinha paralisia cerebral. Após uma convulsão, a criança morreu. Pensando em salvar a vida de outras pessoas, o casal decidiu doar os órgãos do filho. “Eu acho que se todo mundo pegasse isso como exemplo a fila de doação de órgãos não estava tão extensa igual anda hoje”, diz Jorgiana Pereira da Silva.

 

Cientistas apresentam o primeiro coração totalmente artificial

Cientistas apresentam o primeiro coração totalmente artificial
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ro_coracao_totalmente_artificial-586138603.asp
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Data : Sexta-feira, 31 de outubro de 2008

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A burocracia contra a vida

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31/10/2008 00:53:00

A burocracia contra a vida

Família não consegue doar órgãos de rapaz devido a demora em exame para atestar morte cerebral

Pâmela Oliveira

Rio - Há uma semana, a família do motorista Marcos Vinícius Rojas Arêas, 26 anos, tenta doar os órgãos do rapaz, vítima de acidente. Ele está no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá, desde a tarde de sexta-feira, quando foi constatada suspeita de morte cerebral, e somente na quarta-feira o foi submetido a exame capaz de confirmar o diagnóstico. O resultado atestando a morte encefálica chegou apenas ontem ao hospital.

Muito angustiada, a família da vítima teme que devido à longa espera os órgãos já não possam ser doados. Dias antes do acidente, Marcos disse que queria ser doador caso sofresse acidente. “Eu queria muito saber que uma parte do meu filho salvou alguém, ajudou um jovem a viver com um coração novo, saudável. Ou um rim, um fígado”, disse a mãe de Marcos, Nádia do Carmo Gimenes Rojas, 55 anos.

“Dias antes do acidente, meu filho viu que os pais da Eloá doaram os órgãos dela, ficou emocionado, e disse que se aquilo ocorresse com ele, gostaria de ter a chance de ajudar sete, oito pessoas. Mas a gente vê que a realidade é outra. A burocracia e o descaso são enormes”, lamenta a mãe.

Nádia diz que a família telefonou para a Central Estadual de Transplantes no sábado para informar o desejo de doar os órgãos, mas foi informada de que o hospital era quem deveria fazer a notificação. “Quando falamos que queríamos doar, o hospital disse que teríamos que arcar com despesas do transporte dele até Niterói e que teríamos que trazer um neurologista de fora. Além disso, teríamos que esperar dias até o corpo do meu filho voltar para Maricá para fazer o enterro. Fomos tratados como se estivéssemos pedindo um favor”, conta Nádia, que até a chegada da equipe de O DIA chegar ao hospital, ontem, não tinha sequer a certeza de que seu filho estava com morte encefálica. “Sexta-feira, nos disseram que sim. Sábado, trouxemos médico particular, que conversou com o médico daqui e nos disse que tínhamos que esperar”, disse ela.

Feriados e falta de estrutura

Ontem, o diretor do hospital municipal, José Luiz Francisco Santos, disse que a unidade não tem condições de realizar os exames necessários para a constatação da morte encefálica, exigidos pela Central Estadual de Transplantes. E alegou que demorou a fazer o eletroencefalograma — que mede a atividade cerebral — devido a feriados.

“Segunda-feira foi ponto facultativo e terça, feriado. Quarta-feira, o exame foi feito por uma clínica conveniada, mas o técnico teve que levar para o Rio e receberemos o resultado hoje (ontem), por fax”, disse.

“Fica realmente difícil para um hospital pequeno, no interior, ter acesso aos exames necessários para cumprir o protocolo. Isso praticamente impossibilita a doação. Deveria ter alguma forma de ajuda, de auxílio”, acrescentou o diretor, que afirma não ter sido procurado pela família ou pelos médicos para falar sobre o caso: “Soube pela Secretaria de Saúde de Maricá”.

José Luiz disse ainda não ter sido informado sobre a abordagem à família. “Se algum médico disse que a família teria que arcar com as despesas, disse por conta dele”, afirmou o diretor.

CONTATO COM CENTRAL ESTADUAL

A Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil afirmou que a Central de Transplantes foi notificada pelo hospital, ontem, sobre a realização do exame para confirmação de morte cerebral. A secretaria afirmou ainda que a Central foi contatada por familiares de Marcos, sábado, sobre a suspeita de morte cerebral, e que propôs que ele fosse levado para o Hospital Azevedo Lima, em Niterói, que tem condições de realizar os exames necessários.

Segundo a Central, porém, o pai foi contra a transferência, alegando que o enterro seria em Maricá e a ida e vinda do corpo dificultaria o sepultamento. Quarta-feira, outro familiar voltou a procurar a Central.


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30 outubro, 2008

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