FW: No front pela doação de órgãos
No front pela doação de órgãos
Enquanto a Alemanha faz campanha para mobilizar população a se cadastrar como doador, Israel se prepara para nova lei
Diversos países lutam, à sua maneira, contra um inimigo comum: o baixo número de doações de órgãos, uma prática que é a única saída para diversas doenças. Na Alemanha, por exemplo, embora 60% da população seja a favor das doações, apenas 14% a 17% se tornam efetivamente doadores. Incrementar esse número é a meta de uma grande campanha em vigor no país.
Lá, há 12 mil pessoas à espera de um transplante e entre 2 mil e 3 mil morrem a cada ano, aguardando uma doação, de acordo com dados do governo alemão. Grupos pró-doação da Alemanha, como o Pro Organspende, tentam conscientizar sobre o problema. Cartazes com personalidades alemãs como o diretor de cinema Roland Emmerich, o boxeador Arthur Abraham ou o ator Til Schweiger (que fez o papel do ex-nazista Stiglitz no filme Bastardos Inglórios) estão espalhados por Berlim, com um apelo pela solidariedade dos alemães: “Você recebe tudo de mim. E eu, de você?”.
Os índices de doação vêm caindo nesse país, apesar de uma lei relativa aos transplantes de órgãos que entrou em vigor em 1997. Nem todos os hospitais atuam da forma ideal, deixando que alguns casos de morte cerebral de potenciais doadores não sejam aproveitados, afirmou, em entrevista à rede alemã Deutsche Welle, Roland Hetzer, diretor do Instituto Alemão de Cardiologia, em Berlim.
Mas a legislação nem sempre é o principal fator na luta pelo aumento no doação de órgãos. Quem assegura isso é Rafael Matesanz, fundador e diretor da Organização Nacional de Transplantes (ONT) da Espanha, órgão ligado ao Ministério da Saúde espanhol. A Espanha é a campeã mundial de doações por manter profissionais exclusivamente encarregados de lidar com a disponibilidade e logística dos órgãos.
A figura do coordenador de transplantes nos hospitais, um escritório central que apoie todo o processo de doação de órgãos, grande esforço em treinamento e educação caracterizam o modelo espanhol.
– Graças a esse sistema de organização das estruturas e de pessoal, o número de doadores de órgãos saltou de 550 em 1989 para 1.607 em 2009. A proporção atual de 34,4 doadores por milhão de pessoas é, de longe, a mais alta do mundo – diz Matesanz.
Princípio olho por olho será usado em Israel
Em toda a União Europeia, por exemplo, essa taxa é de 16, nos Estados Unidos, 26. No Brasil, a proporção é quatro vezes menor do que a da Espanha: a taxa é de 8,7 doadores por milhão.




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