04 janeiro, 2010

Doar órgãos é um ato de amor

Para algumas pessoas o transplante pode ser a única forma de sobreviver

Por Vanessa Sagossi

vanessa.sgs@oestadorj.com.br

Banco de imagens

 

Segundo a Dra. Rosana Trindade, psicóloga clínica e psicóloga hospitalar do Programa de Transplante Hepático da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, durante a espera deve ser realizado com o paciente um trabalho de informação e orientação e propiciar contato com outros pacientes já transplantados.

 

Sandra Amorim, psicóloga que trabalhou durante 11 anos com pacientes que estavam na fila, lembra que a espera desperta sentimentos como ansiedade, incerteza e receio de morrer antes do transplante ocorrer. “Deve-se procurar acolher essa angústia implicada na espera tentando aliar isso à idéia de que muitos aspectos da qualidade de vida poderiam ser cuidados enquanto a cirurgia não ocorre”, explica.

 

Rosana lembra que os aspectos da personalidade do paciente também são levados em consideração na escolha da psicoterapia grupal ou individual. “Ao longo deste processo de avaliação, o psicólogo procura averiguar aspectos que representem uma falta de adaptação emocional mais severa e que demandem seguimento por parte deste profissional”, explica Sandra.

 

O trabalho pós-transplante procura ajudar o paciente a se adaptar à sua nova condição de vida. Após o procedimento ser efetuado, Rosana diz que é importante evitar a dependência da psicoterapia. “O paciente precisa retomar sua independência, sua vida, seus projetos, etc.”, argumenta a psicóloga.

 

Ajudar o próximo é questão de escolha

 

Celia Regina Carpinelli, mãe da jovem Vitória Carolina, que faleceu de aneurisma cerebral aos 18 anos, explica como é difícil tomar a decisão da doação em uma hora tão complicada. “Doar órgãos não é fácil e por isso tem que ser uma idéia antiga, já plantada em nossos corações, não podemos deixar para decidir na hora, senão não doaremos”, diz.

 

Celia, que diz querer também ser uma doadora, conta que sua filha ajudou a salvar outras cinco vidas. “Senti que fiz o que ela desejava. Nunca vi minha filha vivendo em outras pessoas, ela era muito mais do que rins, coração ou músculos”, completa.

 

Celia Regina e seus pais também fazem campanha distribuindo folhetos para conscientizar a população. “O que me dá forças para continuar é minha própria filha, ela ainda é minha filha e será para sempre. Hoje, vivendo o melhor que posso, eu a ajudo e espero o reencontro que talvez haja realmente”, finaliza.

 

Marise Myrrha, professora universitária, doou um de seus rins ao seu irmão Rubem Myrrha. Marise afirma que apesar de sentir medo e receio quanto ao procedimento tomou a decisão pensando que se essa fosse a única forma de seu irmão se curar, ela doaria. “Não tenho a menor dúvida que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, afirma.

 

Quatorze anos após o transplante, a professora assegura nunca ter tido qualquer problema de saúde e que seu irmão agora vive com qualidade de vida. “Poder salvar a vida de alguém é uma sensação maravilhosa. É como se eu tivesse tido mais um filho, além dos três que eu já tinha”, diz.

 

De volta a esperança de quem ganhou uma vida nova

 

Segundo Rafael Paim, presidente da ADOTE, Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos, a qualidade de vida do paciente melhora bastante. “Para algumas pessoas, portadoras de certas doenças mais graves, a cirurgia representa a única chance de sobrevivência”, ressalta.

 

O consultor Rubem Myrrha diz ter nascido de novo depois que recebeu o transplante renal que precisava. “Hoje levo uma vida 100% normal. Faço caminhada, natação, pilates, trabalho, como de tudo, bebo de tudo, viajo. Enfim, restrição zero”, afirma.

 

Depois de passar por uma grande ansiedade de conversar por pessoas que tivessem passado por essa situação, Rubem resolveu escrever um livro que ajudasse as pessoas nesse momento. “Sempre uma esperança”, desvenda as perguntas que ocupam o pensamento desses pacientes, como o que acontece no pós-operatório, como fica alimentação ou que tipo de medicamento é recomendado. “Assim, fiz um propósito de passar minha experiência para outras pessoas que pudessem dela se beneficiar”, explica.

 

Rubem lembra o quanto é importante ser doador. “Pois só quem já passou pela angústia que eu passei sabe o quanto é importante ter mais órgãos para aumentar o número de transplantes”, completa.

 

Assegurando que não teve problema algum com o procedimento, Rubem manifesta a vontade de também ser um doador. “Só não posso doar o rim... Mas o que puder ser aproveitado está à disposição”, ressalta.

 

http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=4283&editoria=Ci%EAncia%20e%20Sa%FAde

1 Comentários:

Blogger Ministério da Saúde disse...

Vanessa Sagossi,

No Brasil, a doação só acontece com o consentimento dos familiares.
A oportunidade de recomeçar a vida, quando as esperanças já são poucas, é o maior presente que alguém pode receber.

O Ministério da Saúde está investindo na conscientização a respeito da Doação de Órgãos. Sua participação é fundamental.

Saiba mais sobre o tema aqui: http://bit.ly/cHLx34.

Para mais informações:
fernanda.scavacini@saude.gov.br
Ministério da Saúde

19/5/10 15:44  

Postar um comentário

<< Home