17 abril, 2009

Portugal - Número de Dadores de Órgãos cresceu 5%

Saúde

Número de Dadores de Órgãos cresceu 5%

por ANA TOMÁS RIBEIROHojehttp://dn.sapo.pt/Common/Images/img_pt/icn_comentario.gif

O número de dadores e de transplantes de órgãos em Portugal aumentou no primeiro trimestre deste ano, segundo a presidente da Autoridade para o Serviço de Sangue e da Transplantação. Mas as listas de espera também crescem. Por isso, a ajuda da comunidade muçulmana é bem-vinda. E as declarações do imã da Mesquita Central de Lisboa podem ser um impulso.

Até Março deste ano havia mais de 3000 doentes à espera de um transplante de órgãos. Isto apesar de o número de dadores e de transplantes, em Portugal, ter aumentado mais de 5% nos primeiros três meses deste ano - comparando com igual período de 2008, adiantou ao DN a presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação (ASST), Maria João Aguiar.

Além do aumento dos transplantes, ontem os muçulmanos anunciaram que vão passar a permitir a doação de órgãos. No entanto, a falta de órgãos irá continuar, pois as listas de espera de doentes para receberem órgãos também não param de crescer. "E não se consegue dar resposta a todos", sublinhou Maria João Aguiar, explicando que tal se deve também ao sucesso deste tipo de intervenções no País.

De acordo com Maria João Aguiar, há neste momento 2000 doentes a aguardar por um rim novo, 600 por um transplante de córnea e 300 à espera de um fígado. E só no Hospital de Santa Marta há dez pessoas à espera de pulmão.

Os números são preocupantes, mas na realidade a situação de Portugal em matéria de transplantação de órgãos tem vindo a melhorar, sobretudo graças a uma maior eficácia da rede de recolha, explicou a responsável da ASST. Por isso, no ano passado o País já ocupou o segundo lugar entre os melhores da Europa no que respeita à colheita de órgãos. Mesmo assim, a base de dados de não dadores (pessoas que não querem que lhes seja retirado nenhum órgão depois de morrerem) ainda conta com 35 mil registos. Os motivos podem ser os mais diversos, entre os quais alguns de carácter religioso, mas não são revelados.

O imã da Mesquita Central de Lisboa, o xeque David Munir, em declarações ao DN, disse desconhecer se alguém da comunidade islâmica em Portugal faz ou não parte desse registo de não doadores. O que sabe é que a religião muçulmana preconiza que o corpo, pertencente a Deus, deve ser sepultado tal como estava em vida. Contudo, a comunidade muçulmana pode estar agora mais aberta à possibilidade de doar órgãos para salvar uma vida.

Numa entrevista à Lusa, ontem o imã disse que "se os órgãos não se destinarem a venda, há teólogos a aceitarem que sejam retirados, já que podem melhorar as condições de vida de quem os receber". "É um acto de caridade", explicou ao DN adiantando que já houve vários debates na comunidade sobre a questão do transplante e doação de órgãos e o assunto foi bem aceite. Não houve assim uma voz contra", afirmou. Por isso, admite que muitas das pessoas da comunidade "podem ser potenciais doadores". Uma notícia bem-vinda para quem se debate todos os dias com a falta de órgãos, para satisfazer as necessidades de milhares de doentes, como é o caso de Maria João Aguiar.

A comunidade islâmica em Portugal conta hoje com cerca de 45 mil elementos, e mesmo que a maioria não queira ser dador, porque a decisão é de cada um como sublinha o imã da Mesquita Central de Lisboa, alguns já são importantes para ajudar.

Até porque o objectivo traçado para este ano é ter 30 dadores por milhão de habitantes.

 

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