13 dezembro, 2008

Fila por córneas diminui 50%

Clique para Ampliar

Ato de solidariedade: no Dia Nacional do Doador de Córneas, o Banco de Olhos do HGF comemora o aumento no número de cirurgias no Ceará (Foto: Silvana Tarelho)

Meta da direção do Banco de Olhos do HGF é, em dois anos, zerar a fila de espera por transplante de córneas

Hoje é o Dia Nacional do Doador de Córneas e o Banco de Olhos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) tem mais um motivo a comemorar. No último mês de novembro, recebeu 53 doações de córneas, recorde desde a sua criação, em 2006. Além disso, conseguiu diminuir a fila de espera por transplantes em cerca de 50%, passando de 1.026 pacientes esperando naquele ano para 514 até o momento.

O Banco de Olhos armazena e mantém em condições de uso todas as córneas captadas nos hospitais é o único do Estado. Ontem, uma comemoração, com homenagem a receptores, doadores e equipe técnica, marcou a data, em solenidade no Hospital Geral.

A previsão, conforme a diretora técnica do Banco de Olhos do HGF, Marineuza Memória, é de que nos próximos dois anos consiga zerar a fila de transplantes de córneas no Ceará. “Essa é a nossa meta. Em dois anos, conseguimos reduzir em 50% a fila e estamos trabalhando para que nesse mesmo período consigamos zerar essa fila”, explica a oftalmologista.

Para a oftalmologista, a redução das rejeições nos transplantes é um dos motivos da redução da fila, uma vez que a partir da criação do Banco de Olhos foi possível o armazenamento nas condições ideais das córneas por até 14 dias, período no qual é possível fazer exames para assegurar a compatibilidade das córneas com os seus receptores.

Grande parte das doações de córneas captadas no Ceará, são advindas do Instituto Dr. José Frota (IJF). Conforme Marineuza Memória, em 2007, dos 352 transplantes de córneas realizados, 65% foram captados no IJF, 9% no Hospital Geral (HGF) e 7% no Sistema de Verificação de Óbitos (SVO).

Já em 2008, foram 379 doações de córneas e 391 transplantes, dos quais 45% foram resultante de captações no IJF, 21% no Hospital de Messejana e 9% no SVO.

A assistente social da Equipe de Captação de Órgãos do IJF, Leoneides Borges Dantas, disse que hoje a aceitação das famílias sobre a doação, num momento adverso e confuso pela morte do ente querido, por conta da mídia e das campanhas realizadas, já é bem menor. “As pessoas entendem a doação como um processo sério e um ato de solidariedade extrema. Doar não dói e é fundamental para que muitas famílias voltem a ter esperança e qualidade de vida”, disse.

Foram essas manifestações de solidariedade plena que mudaram a vida do estudante de publicidade Davi de Oliveira, de 23 anos. Por conta de uma ceratocone, doença degenerativa da visão que se desenvolve durante a adolescência, ele perdeu a visão. “Antes do transplante, eu tinha uma vida embassada, sem detalhes. Fiz o transplante há um ano e meio. Hoje, vejo tudo”, disse.

PAOLA VASCONCELOS
Repórter

ENQUETE
A doação é um ato de amor e respeito à vida

Rogério Chaves
Técnico industrial

Meu filho de 19 anos faleceu há mais de dois meses. Apesar da dor, entendi a doação como a continuidade da vida

Necésio Maximiano dos Santos
Pedreiro

Há dois meses recebi a córnea de um jovem rapaz de 19 anos. Até pouco tempo eu não enxergava direito com um olho.

 

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home