17 junho, 2008

Chance de cura longe de casa

                Chance de cura longe de casa

Fundão suspende transplantes e paciente grave vai ter que recorrer a hospital de outro estado

Pâmela Oliveira

 

Rio - Morador do Rio, o taxista Wilson Aciole de Barros, 37 anos, vai recorrer a outros estados para conseguir fazer transplante de pulmão. Há três meses, o único hospital que realizava o procedimento no Rio suspendeu temporariamente a atividade. Internado há mais de uma semana no Hospital Clementino Fraga Filho (Fundão), Wilson só respira com ajuda de uma máscara de oxigênio e espera enquanto seus parentes buscam informações sobre o transplante em outros estados.

“A gente está em desespero. O médico disse que meu irmão está com os dias contados e o transplante é a única chance. Ele sugeriu que procurássemos na Internet informações sobre outros estados que fazem transplante de pulmão”, disse a irmã de Wilson, Marineide Aciole, 44 anos. “Disseram que nem se houvesse um doador o transplante não poderia ser feito por falta de condições e material”, diz.

Wilson sofre de problemas pulmonares desde os 18 anos. Mas nos últimos anos seu estado se agravou. “Perdi 12 quilos nos últimos dois anos. Tenho tido infecções freqüentes e o transplante é realmente a minha única chance. É muito ruim não ter previsão. Gostaria muito de poder ser transplantado aqui no Rio”, conta o paciente. “Tenho medo de não ter condições de viajar”.

Diretor geral do hospital, Alexandre Pinto Cardoso conta que há três meses a unidade suspendeu os transplantes de pulmão porque um dos médicos da equipe se afastou para fazer um treinamento no Canadá. “Informamos que esse tipo de transplante seria suspenso temporariamente à Central Estadual de Transplantes”, diz o diretor. Segundo ele, em cerca de 30 dias o médico voltará à unidade.

A Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil afirmou que o hospital é quem deveria procurar um centro transplantador em outro estado para o paciente. Depois disso, a família deve procurar a secretaria para inscrever Wilson no ‘tratamento fora de domicílio’, programa que paga passagem e outras despesas necessárias aos pacientes e seus acompanhantes, quando o estado não oferece o tratamento.

Ministério amplia serviço e tem 871 hospitais credenciados

Ministério da Saúde autorizou o funcionamento de mais nove estabelecimentos para a realização de transplantes de córnea, rim, medula óssea, pâncreas, pulmão e enxerto ósseo no País. São 871 hospitais credenciados para realização desse tipo de cirurgia. Dentre os estados que tiveram o serviço ampliado estão São Paulo, Rio — com unidades privadas —, Rio Grande do Sul e Alagoas.

Ontem, o diretor do Hospital do Fundão lembrou da baixa captação de órgãos. E afirmou que em breve a unidade, que suspendeu todos os procedimentos devido à falta de verba, retomará suas atividades.

“Nas próximas semanas, acredito que conseguiremos retornar nossas atividades. Acho que em 15 dias poderemos retomar os transplantes”, disse. “Conversamos com o MEC e negociamos uma verba de R$ 800 mil mensais, que serão usados para auxiliar o pagamento de funcionários extra-quadros. Além disso, aumentamos o teto de procedimentos de alta complexidade com o  município e o estado”.

O diretor defende reajuste da tabela do SUS. “De 2004 pra cá, a inflação hospitalar aumentou muito. Para tirar o Fundão da crise, uma das soluções é o SUS reajustar a tabela de pagamento pelos nossos serviços e o MEC assumir a folha de funcionários extra-quadro, o que já começa a ser feito”, explica Cardoso.

 

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