‘Morte cerebral é morte’, diz neurologista
Saúde - 18h06, 30 de novembro de 2007
Por Vanessa Alencar
Imagens apresentam cérebros sem atividades e com atividades
O mais recente boletim divulgado pela Coordenadoria de Emergência Armando Lages, às 16h50, sobre o estado de saúde do agente penitenciário Manoel Messias de Souza Junior, 27, confirmou o laudo anterior de morte encefálica. Mas, o que é morte cerebral? Ela é irreversível? Porque o coração continua a bater?
Aceitar que morte cerebral não tem volta é difícil para quem vive a situação de receber esse diagnóstico com relação a alguém querido, porque crescemos acreditando que é o coração, esse “músculo involuntário” que manda na vida.
Sem a pretensão de explicar o que parece inexplicável, mas com a intenção de ajudar as pessoas a entenderem um pouco o diagnóstico e terem alguns desses questionamentos esclarecidos, a equipe do Alagoas24horas conversou com um especialista, o neurologista Aldo Calaça.
O médico explica que morte cerebral é a situação onde há uma desconexão completa das atividades cerebrais e o restante do corpo, que perde a capacidade de respirar espontaneamente e não apresenta nenhuma atividade motora. “Uma vez diagnosticado, o quadro de morte cerebral é irreversível. Esse diagnóstico clínico é feito pelo médico especialista, através de um exame neurológico valioso, que apresenta informações seguras”, esclarece.
O neurologista diz que, segundo resolução do Conselho Federal de Medicina, a realização de exames complementares – arteriografia cerebral e eletroencefalograma – é necessária apenas quando a família decide pela doação dos órgãos do paciente com morte cerebral.
“Não há registros na literatura médica de um diagnóstico clínico de morte cerebral não ter sido confirmado pelos exames complementares. Vários critérios são avaliados cuidadosamente antes que o médico decrete a morte cerebral”, frisa Calaça.
Doação
O médico diz que é variável o tempo levado para que ocorra a falência completa dos órgãos de um paciente com morte cerebral. Fatores como idade e condições físicas podem retardar a falência em até duas ou três semanas, mas, em geral, o mais freqüente é que o coração pare de bater em até sete dias.
“O coração continua batendo depois da morte encefálica porque ele é um músculo próprio. Até se você tirá-lo do corpo ele continua batendo. A gente entende o sentimento da família que passa por essa trágica experiência, mas as pessoas têm que aceitar que morte cerebral é morte. Só não é plena por causa do coração, e ele só continua batendo porque é involuntário”, finaliza.
Depois da morte cerebral, os outros órgãos continuam funcionando artificialmente, com a ajuda de aparelhos e medicações, até que aconteça a falência natural dos órgãos. Depois que isso acontece, não é mais possível a doação. E, só em alguns casos, as córneas ainda podem ser aproveitadas.





1 Comentários:
Pois é, é muito complicado aceitar a morte cerebral como "morte". Eu nao aceito, acho que a medicina é muito "leiga" em muitos casos.
Meu amigo de 23 anos acabou de sofrer "morte cerebral". Mesmo os médicos nao dando muita esperança, estamos nos agarrando em Deus, Na fé! Pois pra medicina nao há fé, so estudam pra algo que possa ver! É uma pena! Como dizem...> A fé opera milagres!
Pois nada que é feito pela mão do homem é milagre!!
Um abç
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