30 janeiro, 2007

História do Diego: superação em ação

Com 20 semanas de gestação descobri em um ultra-som morfológico, realizado pelo Dr. Francisco Augusto Porto, da Clinica Conceptus de Santo André, que meu filho tinha um problema no coração. Fomos encaminhados para realizar um eco-fetal com a Dra. Lilian Lopes de São Paulo (Ecokid) - Diagnóstico: _ HIPOPLASIA DE VENTRÍCULO ESQUERDO, OU SÍNDROME DO CORAÇÃO ESQUERDO HIPOPLÁSICO, a pior ou uma das piores cardiopatias que se tem conhecimento, e as chances dele sobrevive eram pequenas. Ele teria de passar por tres cirurgias até os dois anos de idade. Para mim foi a sentença de morte do meu filho. Foi, definitivamente, o pior dia da minha vida.

Os planos de meu marido de que ele fosse um grande jogador de futebol (coisa que todo pai sonha) tinha ido por água abaixo. Naquele dia só me lembro da dor de estomago que sentia, a sensação de querer correr, fugir não sei para onde, de que a qualquer momento eu iria acordar e perceber que tudo foi um sonho ruim.

Como aquilo poderia estar acontecendo???

Por que comigo??? O que eu fiz de errado???

São perguntas que acredito que toda mãe se faz nesta hora. E comigo não foi diferente. Até hoje me faço estas perguntas. Sofri muito... Entrei em depressão profunda... Tive síndrome do pânico... Parei de trabalhar... Não saia mais de casa... Não atendia telefone... Não conversava com ninguém...Eu só pensava que meu filho ia morrer, que eu nunca poderia pegá-lo no colo... A sensação de impotência é frustrante, e a situação de angústia, de ter de esperar sem saber o que vai acontecer... É terrível!

Para completar meu filho tinha algumas complicações, mas que Graças a Deus e aos médicos da Beneficencia, não foram impecilhos. Ele tinha Forame Oval Restritivo, o que o impediria de sobreviver até a primeira cirurgia, e sua aorta era muito estreita (2mm), e neste caso poucos médicos operam, mas o Dr. José Pedro Da Silva conseguiu operá-lo com sucesso. Após o diagnóstico fui visitar, junto com a Dra. Lílian, a Beneficência Portuguesa. Pude ver uma criança com hipoplasia que estava na UTI se recuperando do Norwood, era o Isaac, que meses depois pude conhecer no quarto quando já estava indo para casa após o segundo estágio. Lembro-me de ter achado a UTI pediátrica um lugar tranqüilo, parecia que as crianças estavam em paz, bem cuidadas. Isso me deu um pouco mais de otimismo. Apesar disso, todas as possibilidades foram cogitadas: não ter o bebê, ter e não operá-lo, e submetê-lo às três cirurgias e a todo o sofrimento que viria junto. Enfim decidimos por este último.

E posso dizer que o principal motivo foi mesmo minha consciência. Eu tinha que tentar tudo, ou jamais me perdoaria. Mas entendo que outras mães tomem decisões diferentes, afinal, nenhum caminho é fácil, e nenhuma decisão, neste caso é simples. É algo muito pessoal, que a mãe e o pai que passam por isso devem decidir juntos, sem nenhuma influência externa, dentro de suas possibilidades, de suas condições e de suas forças.

O meu parto foi programado para o dia 21 de maio de 2006, ás 20:00 hrs, na Beneficência Portuguesa, tudo providenciado pela Dra. Lílian, inclusive a equipe de Hemodinâmica do Dr. Salvador que acompanhou todo o procedimento. Quem fez meu parto foi meu obstetra Dr. Mauricy Chinaglia, de São Caetano do Sul, que se dispôs a isso e a quem só tenho que agradecer. Logo após o parto, meu filho foi levado para a sala ao lado para passar por um cateterismo onde foi feita uma atriosseptostomia, em que foi aberta a comunicação interatrial, sem o que meu filho não sobreviveria até a cirurgia, por causa do Forame oval restritivo. Este procedimento, que deveria durar meia hora, levou quase duas horas.

Meu filho e os médicos começaram aí a vencer esta luta. Foi nossa primeira batalha superada. Logo depois ele foi levado para a UTI. Na hora do parto só vi as enfermeiras correrem com ele nos braços, mal pude vê-lo de costas. Somente pude vê-lo no dia seguinte, no horário de visita. Mas naquela noite ainda tive a felicidade de conhecer meu filho através de uma foto de celular, tirada quando ele já estava em seu leito na UTI, e já entubado, mas parecia tão tranqüilo... Dormindo em paz! A partir deste momento meus pensamentos mudaram totalmente, criei novo animo e adquiri novas forças.

Meu filho passou pela primeira cirurgia com menos de 48 horas, pois a comunicação interatrial estava fechando. Tudo correu bem. Segunda batalha vencida. Enfrentamos 57 dias de UTI. Neste período ele teve dificuldades em ser extubado e precisou passar por uma aplicatura do diafragma.

Fomos para o quarto, onde ficamos aguardando pela segunda cirurgia (Glenn), e neste período o Diego se recuperou muito bem, e realizou a segunda cirurgia no dia 15 de setembro. Tudo correu bem, mas seu organismo desenvolveu artérias colaterais que mandavam muito fluxo de sangue para o pulmão e mais uma vez foi submetido a um cateterismo para embolização das artérias.

Tudo estava indo bem, ele foi extubado, mas logo surgiu uma infecção de pulmão, e lá foram mais 38 dias de UTI. Depois no quarto ficamos mais três semanas. Ao todo foram cinco meses e meio de hospital. Para mim, uma vida, a vida inteira do meu filho. E tudo o que eu achava impossível aconteceu.

Passei todo esse tempo no hospital, e nem foi tão ruim assim! Meu filho está em casa, VIVO, feliz, ainda toma algumas medicações e precisa de um controle constante, mas tenho certeza de que ele irá se recuperar totalmente. Ele é pequeno para a idade, está com oito meses, mas tem tamanho de três. Mas estamos correndo atrás e ele já esta recuperando o peso e tamanho. Não deixo de sofrer, como toda mãe, pensando no futuro.

Até quando??? Como???

Quais as conseqüências???

O que ele terá de enfrentar ainda???

Será que um dia vai precisar de transplante???

Mas chegamos até aqui, coisa inimaginável para mim, portanto, tudo é possível! Daqui aproximadamente um ano e meio passaremos pelo terceiro estágio (Fontan). Até lá, vou me preparando e curtindo meu filho a cada dia, cada progresso, cada sorriso, cada movimento que ele aprende. Afinal nós nunca sabemos até quando teremos nossos filhos, cardiopatas ou não!

Valéria Guimarães de macedo mãe do Diego de Macedo Aranda

8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Graças a Deus que o Diego está se recuperando! Assim como as duas batalhas que ele já venceu, ainda bebê, certamente vencerá mais uma e todas que surgirem em seu caminho.
Saúde para o Diego, força, esperança e fé para seus pais.

Louise e Miguel.

31/1/07 09:49  
Anonymous Anônimo disse...

Vou torcer muito para que tudo dê certo com o Diego tenho certeza que ele é mais UM TOURO VALENTE, como ARTHUZINHO.
Eu em 1986 meu filho foi operado do coração no Hosp. da Beneficência Portuguesa em São Paulo tb sofri, chorei mais nunca perdi a fé que tudo ia dar certo e deu hoje meu filho está
com 20 anos.
Maria Aparecida Melo -João Pessoa-PB.

31/1/07 12:27  
Anonymous Anônimo disse...

Tenho certeza que o Diego vai se recuperar muito bem. Deus esta ao lado de vcs e principalmente dele.
Força e muita Fé.

Abraços
Valéria e Gabriel

1/2/07 09:11  
Anonymous Anônimo disse...

Felicidades Diego e família>Voces são vencedores> estão podendo conviver neste plano de vida.cinthia klein

3/2/07 13:42  
Anonymous Anônimo disse...

Ola amiga Valeria, conte com as nossas orações, ja deu tudo certo e com certeza vai melhorar ainda mais.
Milhoes de beijos no meu novo sobrinho do coração.
Carina Prado - São Paulo

22/3/07 17:52  
Anonymous Anônimo disse...

Ola Valéria!!!!!!!!!
Não conheço o Diego pessoalmente mas é como se eu conhecesse,sou sobrinha da Diva e fico sabendo noticias dele por ela.
Torço pelo Diego todos os dias e não esqueço dele em minhas orações.
Oro por vc tb Valéria,passei por um momento dificil tb com meu caçulinha quando nasceu mas nada se compara ao seu sofrimento.
Mas creia nada para DEUS é impossivel e o plano dele na vida do seu filho e um plano de vida prospera.
Abraços,fikem todos com DEUS.

26/7/07 12:35  
Anonymous Anônimo disse...

Olá Valéria,eu também sou mãe de um menino com essa cardiopatia, ele já está com 3 anos e está indo para o terceiro estágio, fez o cateterismo na terça dia 14 de agosto e já estamos começando a nos preparar seu nome é Leandro e foi operado pelo Dr.José Pedro aqui no Rio de Janeiro.Fico feliz em saber que existem pessoas como vc e como eu mesma que lutam mesmo quando o que temos é tão pouco porém muito necessário o AMOR.Felicidades e que o Diego seja sempre um guerreiro.

17/8/07 14:45  
Anonymous Anônimo disse...

Olá Valéria,eu também sou mãe de um menino com essa cardiopatia, ele já está com 3 anos e está indo para o terceiro estágio, fez o cateterismo na terça dia 14 de agosto e já estamos começando a nos preparar seu nome é Leandro e foi operado pelo Dr.José Pedro aqui no Rio de Janeiro.Fico feliz em saber que existem pessoas como vc e como eu mesma que lutam mesmo quando o que temos é tão pouco porém muito necessário o AMOR.Felicidades e que o Diego seja sempre um guerreiro.

17/8/07 14:45  

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