O Bebê Elias precisa de Ajuda
Em 21.12.05, minha irmã, Maria de Lourdes Pimentel Moraes adotou um bebê, aos 07 meses de idade . Esta criança ao nascer, em 29.04.05, recebeu o nome de ELIAS RODRIGUES SANTANA, hoje se chama ELIAS PIMENTEL MORAES.
Ele foi abandonado por sua mãe biológica, aos 02 meses de vida em um hospital público aqui de Salvador – Ba, por ser portador de problemas cardíacos congênitos.
Vejam: a situação está difícil para minha irmã que é uma pessoa detentora de certo conhecimento, está regularmente inserida no mercado de trabalho. Agora, imagine a situação vivenciada por aquela pobre mãe desempregada, vítima do sistema econômico perverso e injusto a que estamos submetidos. Abandonada por seu marido e já com 03 filhos e sem nenhuma condição para cuidar do seu rebento, que além de tudo veio portando uma doença grave.
Como deve ter sofrido aquela mulher. Para se ter uma idéia, Elias toma diariamente, 12 tipos de remédios. Decerto, abandoná-lo em um hospital público seria a única saída para que seu filho não morresse a mingua. Supondo, talvez, que pelo menos, o problema de saúde estaria resolvido...!!! Ledo engano! Lá, o bebê ficou prostrado durante 05 meses, sem ninguém para gritar por seus direitos. Sem receber os estímulos necessários ao desenvolvimento que sua idade e seu estado de saúde tanto reclamavam. Até o momento não consegue ficar de pé. Está começando agora, a sentar e tentando engatinhar.
O fato, é que esta criança precisa ser submetida urgentemente, a duas cirurgias cardíacas sendo que uma só pode ser feita em São Paulo, segundo informou a médica que o acompanha. Tal procedimento cirúrgico é necessário para reverter as grandes artérias. Ele é cianótico, seu pulmão está se complicando, pois já é portador de hipertensão pulmonar, uma vez que deveria ter sido submetido a essa cirurgia antes de completar um ano de idade, todavia está hoje com 01 ano e 04 meses, ainda aguardando vaga através do SUS, pois atendimento particular custa muito caro.
O plano de saúde de sua mãe adotiva não o acolheu, sob alegação de que o mesmo nascera com problemas de saúde. Ela apelou para a Justiça, porém como sabemos, esta é muito lenta, tendo sido marcada audiência, ainda para outubro, e, aí talvez seja tarde demais.
Inspirados por Deus, até conseguimos um médico, que com sua grandeza de espírito, ao tomar conhecimento da gravidade do caso, se comprometeu a fazer uma das cirurgias, [a corretiva], aqui em Salvador, através do SUS. Entretanto, o Hospital Santa Isabel, onde ele opera, alega não possuir leitos suficientes, e não há previsão de quando haverá vaga.
Não sabemos mais o que fazer. O problema está se agravando. Estamos de mãos atadas, rogando ao Deus Pai Todo Poderoso que seja corrigida tamanha injustiça.
Na Semana dedicada à adoção, o Juizado de Menores pediu a minha irmã que concedesse uma entrevista a um jornal local, [a qual estou enviando anexa], para incentivar a adoção de crianças com problemas de saúde, cujas quais, geralmente são preteridas.
Como se vê, minha irmã fez a parte dela, não pensou duas vezes, motivos para recusar até tinha, pois é solteira, já adotou duas meninas, hoje com 19 e 24 anos. Sua idade inclusive, já está um tanto quanto avançada, para tal façanha, [60 anos]. Mas não deixou ao abandono, um ser inocente e indefeso. Todavia, o Estado que tem obrigação de promover a saúde e o bem estar do cidadão, não faz a sua parte. É desolador e revoltante.
De acordo com a própria Cartilha do SUS, lançada pelo Ministério da Saúde, essa negativa de internação representa ofensa à Constituição Federal de 1988 [em especial aos Artigos 1º, inciso III, 5º caput, 196 e 198, inciso II], que estabelece como fundamento do país democrático em que vivemos a dignidade da pessoa humana e dispõe ser a saúde um direito de todos e um dever do Estado, que tem a obrigação de proporcionar um atendimento integral. Fere também a Lei que criou o SUS - Sistema Único de Saúde (Lei 8.080/90) a qual garante o acesso aos serviços de saúde de maneira eficaz e sem qualquer discriminação.
Fatos como este, não devem permanecer na obscuridade, têm de ser denunciados. Este pequeno ser, não pode mais ser penalizado. Seu problema, não é somente seu, ou de sua família, mas de todo cidadão que não aceita a forma desrespeitosa e negligente como são tratados todos aqueles que dependem da Saúde Publica nesse país.
Precisamos de socorro. É uma vida que está em jogo. E, caso essa criança sobreviva sem ter sido submetida ao tratamento cirúrgico indicado, certamente ficará com sérias seqüelas para o resto da vida. E, aí de quem será a culpa? Quem pagará por isso? Reflitamos sobre isso.
Atenciosamente,
Maria José Pimentel de Moraes Pires
pimenta13@gmail.com




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