14 agosto, 2006

Família doa órgãos de vítima de assassinato

Nem mesmo a dor da perda impediu um gesto de solidariedade. Depois de perder um ente querido, vítima de assassinato em Cachoeiro de Itapemirim, uma família decidiu fazer a doação de órgãos e deverá ajudar a salvar a vida de, pelo menos, quatro pessoas.

O doador foi o técnico de informática Ricardo de Oliveira Freitas, 30 anos, vítima de um atentado por volta das 2h30 da madrugada de sábado. Ele levou um tiro à queima-roupa nas proximidades de um bar localizado no bairro Bela Vista, em Cachoeiro de Itapemirim.

Ricardo foi socorrido e levado para a Santa Casa de Misericórdia, onde chegou consciente e falando. Trinta minutos depois, entrou em coma. Ontem, médicos confirmaram a morte cerebral do paciente e sugeriram a doação à família.

"Quando o médico perguntou se queríamos fazer a doação, não pensamos duas vezes. Não quero saber quem são as pessoas que vão receber os órgãos. O importante é que estamos salvando vidas. Um pedaço dele vai viver no corpo de outras pessoas", disse a tia de Ricardo, Elzinha Fernandes, 59 anos.

A boa ação da família de Ricardo rendeu muitos frutos. Foram captados dois rins, o fígado, o pâncreas e as duas córneas, que vão ajudar seis pacientes a recuperar a saúde, sendo que quatro deles corriam risco de vida caso não conseguissem passar por transplantes.

Uma equipe médica da Grande Vitória foi acionada e levada para Cachoeiro de Itapemirim para realizar a primeira captação de fígado e de pâncreas no interior do Estado. Às 16h30, médicos saíram do heliponto do Hospital Meridional e começaram uma corrida contra o tempo.

Enquanto médicos e enfermeiros faziam a retirada dos órgãos no Sul do Estado, um dos receptores, o aposentado Argeu Rodrigues da Rocha, 53 anos, já estava sendo submetido a uma cirurgia para receber o fígado, que chegou ao seu destino – o Hospital Meridional – por volta das 19 horas.

O pâncreas foi enviado para Belo Horizonte, em Minas Gerais, já que não havia ninguém para receber o órgão no Estado. Os rins já têm receptores. São capixabas, cujos nomes não foram revelados pela Central de Captação de Órgãos. Já os receptores das córneas ainda não foram definidos.

Enviado por Louise Barros, Colaboradora do Doeação.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

graças a Deus existem pessoas com consciência.
bjs a todos.
e que muitas outras famílias mesmo passando pela dor sintam a alegria de fazer o bem...

16/8/06 13:54  

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